Evelson de Freitas/AE - 16/3/2011
Evelson de Freitas/AE - 16/3/2011

Para fugir da lotação, passeios e compras

Shoppings nas estações ajudam muitos passageiros a escapar dos horários de pico

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

19 Março 2011 | 00h00

Além de espaço de compras e lazer para a população e negócio lucrativo para o Metrô, os shoppings acoplados a estações ajudam a diminuir a superlotação nos ramais, trens e - em efeito cascata - em toda a rede sobre trilhos. Isso porque esses centros comerciais "seguram" os passageiros por um tempo maior antes de chegarem às estações, distribuindo melhor a quantidade de viagens.

"As pessoas não conseguem perceber, mas acabam adiando suas viagens por no mínimo 15 ou 20 minutos quando entram nos shoppings", calcula o diretor de Operações do Metrô, Mário Fioratti Filho. Esse período corresponde ao tempo gasto, em geral, por uma pessoa que entra apenas para passear e olhar vitrines. Se optar por também fazer uma refeição na praça de alimentação, o tempo aumenta e, muitas vezes, permite fugir dos horários de maior lotação no transporte público.

O Metrô calcula que os ganhos com esses atrasos ocorrem principalmente no horário de pico da tarde, quando trabalhadores e estudantes estão voltando de suas atividades. "Essas paradas ajudam a diluir o horário de pico. Faz com que a entrada nas estações seja mais dispersa e isso distribui a demanda", completa Fioratti.

Na Linha 3-Vermelha, onde há os Shoppings Metrô Tatuapé e Metrô Itaquera, a espera pode significar fugir de uma lotação na casa de dez passageiros por metro quadrado no horário de pico - entidades internacionais recomendam no máximo seis.

"Como o shopping está na minha rota de passagem, às vezes fico um tempo na praça de alimentação ou levo as crianças nos brinquedos. Aí não pegamos o vagão tão lotado", conta a dona de casa Adriana Moraes, de 27 anos, que na quarta-feira estava com a afilhada no Shopping Metrô Itaquera. Ela conta que as viagens sobre trilhos de sua casa, em Ferraz de Vasconcelos, são mais rápidas de metrô e trem - cerca de 20 minutos -, mas às vezes ela prefere enfrentar o trânsito nos ônibus para fugir da lotação.

O Shopping Metrô Itaquera foi considerado no início como uma aposta de risco na própria companhia, por estar em uma região da cidade de menor poder aquisitivo. Inaugurado em 2007, ele aos poucos foi ganhando espaço e hoje é o que mais rende lucros ao Metrô. De olho no futuro estádio do Corinthians, a administração do centro de compras já prepara expansão.

"O shopping foi uma aposta para a classe C, mas hoje temos lojas de ponta, que estão nos principais shoppings de São Paulo. Além de 20 marcas esperando para abrir lojas em nossa unidade", diz o superintendente do Itaquera, Jonas Fortes.

De passagem. Na quarta-feira, os noivos Fabrício Cavalcanti, de 23 anos, e Kelly Cristina Batista, de 18, aguardavam na fila para comprar passagem no guichê de uma companhia aérea instalado na ligação do shopping com o Poupatempo. "Vamos aproveitar essa promoção de R$ 10 para visitar minha mãe em Fortaleza", contou Cavalcanti. "Nunca tinha pensando em entrar em loja para ver preço. Mas, como passo aqui todo dia, não custa parar."

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