Para FHC, ocupação não reduz consumo de drogas

Defensor da legalização do uso de drogas como meio de acabar com o tráfico, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso considerou "positiva" a ocupação das favelas, bem como as 18 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) existentes no Rio. O modelo, disse FHC ontem ao Estado, permite a retomada do controle do território pelo Estado sem a necessidade de armas. Mas não reduz o consumo de drogas nem acaba com o tráfico.

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2011 | 03h03

"O que está acontecendo no Rio é um passo adiante porque libera a população da pressão dos traficantes, diminui a violência, tira a arma do alcance de criminosos", avaliou o ex-presidente, depois da conferência Acabando Com a Guerra Mundial Contra as Drogas, organizada pelo Instituto Cato em Washington. "Mas, provavelmente, não está acabando com o consumo de drogas nem com o próprio tráfico." Para FHC, no entanto, o modelo adotado no Rio mostrou-se benéfico por não ter instaurado uma "guerra".

De acordo com FHC, além do aumento exacerbado do consumo de drogas, é preciso considerar, no Brasil, a impossibilidade de total controle da fronteira com os países fornecedores e a expulsão dos traficantes das metrópoles para cidades vizinhas.

Para qualquer dessas questões, FHC aponta como solução a legalização do uso de drogas, com forte apoio do Estado para recuperar viciados. "Se o consumo não reduzir, todas as medidas serão inúteis para acabar com o tráfico."

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