Para fazer caixa no Pacaembu

Especialista em gestão diz que é possível lucrar no Pacaembu sem grandes reformas

Martín Fernandez, Jornal da Tarde

31 Março 2009 | 10h47

Caso consiga a concessão do Pacaembu, o Corinthians planeja investir R$ 100 milhões para deixar o estádio como quer. A previsão é do diretor de marketing do clube, Luís Paulo Rosenberg. O que não for tombado ganharia contornos modernos.

 

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O que Rosenberg não sabe é que é possível transformar o Paulo Machado de Carvalho numa máquina de fazer dinheiro sem grandes modificações, com mostra o trabalho a que o JT teve acesso da Casual Auditores, uma empresa preocupada com a administração e gestão de times de futebol.

 

"O Pacaembu é rentável do jeito que está", defende Amir Somoggi, especialista em gestão da Casual. "O que faz um torcedor gastar são fatores como facilidade na compra do ingresso, conforto e segurança, além, claro, da presença de ídolos."

 

Hoje, o Corinthians tem apenas o último item. Ronaldo já fez aumentar o faturamento do clube com a bilheteria. O Corinthians mandou oito jogos no Pacaembu. Nos três em que o craque atuou, a arrecadação foi maior que nos cinco sem ele. A soma da renda das partidas contra São Caetano, Santos e Ponte foi de R$ 1,3 milhão - contra R$ 786 mil nos cinco duelos anteriores, sem Ronaldo.

 

Mas só isso não basta. "Essa renda poderia ser multiplicada se o Corinthians fizesse seu torcedor gastar um pouco mais com alimentação, por exemplo", diz Somoggi. "Sem contar que, se o Pacaembu fosse dele, o time não teria pago R$ 600 mil com o aluguel nos oito confrontos que mandou lá."

 

O desafio, se conseguir a concessão, é motivar o torcedor a pôr a mão no bolso. "O defeito dos clubes brasileiros, não apenas do Corinthians, é tratar mal quem paga pouco pelo ingresso", diz Somoggi. "Cobrar R$ 4 por um amendoim é absurdo."

 

O Corinthians explora indiretamente a venda de comida e bebida no estádio hoje. O serviço é realizado pela empresa Pop & Ice, que também atua no Palestra Itália e na Arena Barueri. "Nós pagamos um valor ao clube para cada pessoa presente no Pacaembu", explica Vladimir Romano, sócio da empresa. "Vendemos água, refrigerante, sorvete, pipoca, churros e cachorro-quente."

 

Romano não quis revelar quanto fatura, mas é bem mais do que paga ao Corinthians ou a qualquer mandante.

 

É preciso ter praticidade também. Vendedores precisam estar sempre à vista do consumidor. As crianças são sempre as que mais consomem.

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