Para favorecer pedestre, faixas de tráfego serão reduzidas

CET definirá quais ruas sofrerão intervenções. Vias com alto índice de atropelamentos terão prioridade

Adriana Ferraz e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2011 | 23h40

SÃO PAULO - Para fazer cumprir o artigo que destina ao pedestre um espaço livre mínimo de 1,2 metro no passeio, a Prefeitura e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estudam afunilar faixas de trânsito em vias que têm calçadas pequenas ou inexistentes. Segundo o secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, as intervenções serão feitas de forma prioritária em avenidas com grande movimentação de pedestres e alto índice de acidentes, especialmente atropelamentos.

"Vamos procurar tratar as diferenças. Não é mais possível conviver com a realidade atual", disse Camargo. De acordo com estimativa da própria Prefeitura, cerca de 20% das calçadas estão irregulares - ou são muito estreitas ou nem existem.

Algumas das principais vias de bairros periféricos da cidade exemplificam o problema. Na Avenida Sapopemba, na zona leste, a maior da capital, é impossível caminhar pela calçada em toda a sua extensão. O passeio some no meio da travessia.

Para facilitar a passagem uniforme pelas vias da cidade, a lei ainda determina o fechamento de terrenos não edificados com portões, muros ou gradis. Qualquer que seja a opção, terá de ter, no mínimo, 1,2 metro de altura. A norma visa a proteger a calçada de sujeira e, assim, assegurar a travessia segura. O descumprimento renderá multa de R$ 200 por metro linear do passeio.

Quem caminha pelas ruas da cidade, apoia as mudanças e espera os resultados. A agente escolar Marilene Trevisan, de 56 anos, moradora da Vila Alpina, na zona leste, afirma que já se feriu em calçadas esburacadas. "Onde moro, as calçadas não têm degraus, têm lajes de tão altas. E cada uma é de um jeito. Estou com problema de visão e não consigo identificar desníveis. Dias atrás, tropecei em uma calçada que tem pedras de paralelepípedo e fui cair de costas na rua. Não conseguia me levantar. Tiveram de chamar o resgate. Fiquei com um machucado grande na perna", disse.

Marilene também aponta outro problema. "Meu neto tem aquelas mochilas de rodinha. Não duram nem uma semana nessas calçadas", reclamou.

E, muitas vezes, a responsabilidade não é dos moradores, mas da Prefeitura. "Reformaram as calçadas da Via Anchieta, por exemplo, mas deixaram o poste do semáforo de pedestre bem no meio da rampa de acesso. Se vem um cadeirante pela faixa de segurança, ele tem dificuldade de passar. Em outro ponto, é um poste que ficou no meio do caminho", disse a auxiliar administrativa Estrelita Nunes Silva, de 45 anos.

Mais conteúdo sobre:
pedestres calçadas CET avenidas ruas

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.