Para famílias, relatório é parcial

Associação e parentes observam que nome das empresas não consta no texto; sindicato de pilotos também teria influenciado redação

Clarissa Thomé e Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

O presidente da Associação de Familiares de Vítimas do Voo 447, Nelson Faria Marinho, criticou o relatório da investigação. "Esse documento fala muita coisa e não diz nada." Ele perdeu o filho no acidente e insiste para que o conteúdo da caixa-preta seja avaliado por técnicos de um país neutro, para garantir a isenção do relatório.

Para Maarten Van Sluys, irmão da funcionária da Petrobrás Adriana, que estava a bordo, o documento é inconclusivo. "Recebi e-mail de um dos líderes do sindicato dos pilotos na França e ele já me dizia ontem (quinta-feira) que haveria represália se os pilotos fossem responsabilizados no relatório. Isso influenciou a redação final do relatório", observou, sem deixar de fazer ressalvas. "Incriminá-los seria injusto", ressalvou, mas o fato de a redação final se adequar ao que esperava o sindicato francês é um indicativo de que o relatório está sujeito a pressões. Ele criticou ainda o fato de não terem sido divulgados os nomes dos fabricantes das peças, como a francesa Thales, que fez o pitot. "No relatório final, não vai ter como não citar todos os nomes dos responsáveis. Aguardamos o inquérito criminal, que corre na justiça francesa, em que Airbus e Air France são citadas por homicídio culposo", afirma.

Na França. Já na Europa as informações do relatório foram bem recebidas pelas famílias de vítimas. Presidente da Associação Ajuda Mútua e Solidariedade AF-447, Jean-Baptiste Audousset pediu moderação em relação aos dados, preferindo esperar pelo relatório final do BEA. Mas comemorou o fato de não ter havido contato entre os pilotos e os passageiros no momento da perda de sustentação do avião. "Talvez os passageiros não tenham sentido mais do que uma turbulência mais forte do que as tempestades causam."

A mesma esperança tem Robert Soulas, pai de uma das vítimas e genro de outra. "Espero que eles não tenham se dado conta de nada." Já para a jornalista brasileira Renata Mondelo Mendonça "o relatório tem conversas cortadas". "Talvez tenham tentado preservar as famílias para a gente não imaginar o desespero e o horror que eles passaram."

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