Para experts, resultado de perícia é incerto

Mesmo assim, advogado planeja entrar com ação de indenização, que deve se arrastar por ao menos 5 anos nos tribunais

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2012 | 03h03

A perícia realizada para analisar o que provocou o desabamento dos três prédios pode apresentar resultados inconclusivos ou se limitar a expor diversos indícios para a tragédia. Especialistas ouvidos pelo Estado afirmaram que em casos de ruína de construções é muito difícil determinar a "conclusão absoluta" que explique as causas.

Obras recentes nos pavimentos da empresa Tecnologia Organizacional (TO) sem a supervisão adequada, alteração do projeto original do Edifício Liberdade, mudanças de fachada do prédio e infiltrações nas lajes superiores são alguns dos fatores apontados para o desabamento. A rápida remoção e dispersão dos destroços e a própria dificuldade técnica de uma análise pericial desse tipo contribuem para a inviabilização de um laudo.

O engenheiro civil Octavio Galvão Neto, coordenador da Câmara de Perícias do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape), explicou que as dificuldades para se trabalhar no local do desabamento e para analisar os destroços devem ser compensadas por um minucioso trabalho de coleta de informações por parte dos peritos. Mesmo assim, nem sempre é possível estabelecer uma causa conclusiva para o desabamento.

"Quando você tem a dificuldade de acesso ao material resultante da ruína, tem um processo bastante longo de estudo que vai depender muito da qualidade das informações coletadas. Na maior parte dos casos desse tipo, no entanto, você acaba caindo nessa linha de algumas possibilidades", disse Galvão Neto.

Indenizações. Mesmo que a perícia não chegue a uma conclusão sobre os motivos e responsáveis pelo desabamento, os feridos, parentes de vítimas do acidente, proprietários de imóveis e empresas que tiveram suas atividades interrompidas poderão entrar com processos de indenização na Justiça. O advogado João Tancredo, que representa a família de Sabrina Prado, uma das desaparecidas na tragédia, informou que pretende processar a TO, o condomínio do Edifício Liberdade, a empresa que administrava o condomínio e a prefeitura do Rio. "Eu não preciso provar que a empresa tal foi culpada ou que fulano de tal fez tal coisa. Só preciso provar que esse acidente aconteceu e posso, então, responsabilizar todos eles", explicou Tancredo.

De acordo com Carlos Edison do Rêgo Monteiro Filho, professor de Direito Civil da Uerj, as ações de indenização e litígios vão resultar em um "emaranhado de possibilidades jurídicas", que devem se arrastar por mais de cinco anos nos tribunais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.