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Para evitar tumultos, shoppings bloqueiam páginas sobre 'rolezinhos'

O presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers não soube dizer quais estabelecimentos conseguiram o bloqueio, mas afirmou que as páginas retiradas incitavam a violência e o uso de drogas

Laura Maia Castro, O Estado de S. Paulo

15 de janeiro de 2014 | 21h06

SÃO PAULO - A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) se reuniu nesta quarta-feira com 55 shoppings da Grande São Paulo e da capital com o intuito de dividir experiências sobre os "rolezinhos". Segundo o presidente da associação, Luiz Fernando Veiga, alguns estabelecimentos conseguiram a retirada de eventos no Facebook quando havia a incitação do uso de drogas e de atos de vandalismo, o aumento da segurança interna e o monitoramento das redes.

"Alguns shopping entraram nas redes sociais e pediram a retirada da página do ar porque ali, onde há a convocação do evento, havia atitudes absolutamente criminosas e ilegais. Como por exemplo 'você leva a sua maconha que eu levo a minha e nós vamos fumar lá no shopping', 'nós precisamos entupir todos os vasos sanitários' e outras coisas. O shopping então pegou essa página e pediu a retirada do ar, o que aconteceu. O presidente não soube informar qual shopping tomou essa atitude". Apesar da medida preventiva, os próprios shoppings citaram que, uma vez bloqueada a página na internet, os integrantes do movimento poderiam se comunicar usando outras ferramentas, como o WhatsApp.

De acordo com Luiz Fernando Veiga, a principal atuação dos shoppings deve ser antes dos eventos acontecerem. "A nossa ação total é na área de prevenção, para evitar que alguma coisa nos chamados 'rolezinho' se transformem em algo mais sério que prejudiquem os frequentadores do Shopping".

A assessoria do Facebook disse que o site só exclui eventos que firam os termos e políticas da plataforma ou que tenham decisão jurídica favorável, que é analisada caso a caso.

Protesto. A União de Núcleos de Educação Popular para Negros e/ou Classe Trabalhadora (UNEafro) marcou para o meio-dia de sábado um protesto em frente ao Shopping JK, no Itaim Bibi, na zona sul. O historiador Douglas Belchior, um dos organizadores, afirma que a ideia é protestar contra o racismo. "No nosso entendimento o controle dos 'rolês' no shopping é mais uma das faces do racismo estrutural mais uma vez mascarada no discurso da segurança e proteção", diz.

Os organizadores do evento se organizaram caso a página saia do ar. "Por pressão da iniciativa privada - Deus todo poderoso - Facebook está prometendo tirar do ar as páginas de convocação dos Rolezinhos". Diante da informação, os moderadores pediram a todos que enviassem os e-mails pessoais para montarem uma "mala direta e manter a comunicação e organização para o 'rolê' contra o racismo".

Segundo ele, os shoppings cresceram nos últimos anos às custas das pessoas que agora querem barrar. "Moradores da periferia passaram a frequentar mais os shoppings. Ao mesmo tempo, os shoppings passaram a frequentar mais a periferia, onde surgiram vários deles", diz.

Redes sociais. No Twitter, uma sequência de postagens do senador Aloysio Nunes (PSDB) causou repercussão entre os internautas nesta quarta-feira. "Os bacaninhas de sempre fazem agora apologia da nova modalidade de inclusão da periferia, e dão pau na PM com vivas ao rolezinho. Domingo, levei meus netos,de 5 e 4 anos, à exposição do "Gloob" no Shopping Morumbi. Imagino como eu e demais avós reagiríamos caso um bando de cavalões cismassem de dar um rolê por lá..."

Pelo Facebook, o senador esclareceu o uso da palavra "cavalão". "Se trata de sinônimo de 'marmanjo', gente grande, no tamanho e na idade".

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