Para evitar furtos, Casa Cor amarra objetos

Outras armas são colar e costurar peças da maior mostra de decoração do País

Valéria França, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2011 | 00h00

Quem foi à Casa Cor deve ter percebido que muitos dos objetos e acessórios dos ambientes estão colados ou amarrados. A camiseta do Santos que o jogador Neymar emprestou para enfeitar a suíte inspirada em sua personalidade, por exemplo, assinada pela arquiteta Camilla Matarazzo, foi costurada nas cobertas da cama. A ideia é evitar furtos, que já se tornaram corriqueiros no maior evento de decoração do País, que até o dia 12 de julho ocupará 30 mil metros quadrados do Jockey Clube, em São Paulo.

Na semana passada, sumiu um livro do espaço projetado pelas arquitetas Silvia Franchini e Priscila Baliú. A dupla projetou um lavabo, de 12 m², que de tão sofisticado parece uma saleta. Exibe cortina de linho, papel de parede, iluminação indireta e muitos enfeites, que dão personalidade ao ambiente, como quadros, revistas, toalha e sabonete.

As arquitetas comunicaram o sumiço à equipe de segurança. "Mas não tem o que fazer. Quando entra muita gente ao mesmo tempo, você perde o controle por menor que seja o espaço. As mulheres circulam com bolsas enormes", explica Silvia. "Na hora em que se percebe a falta de algo, não tem como saber quem levou. Todo ano é assim."

Em 2009, as duas montaram o espaço da vaidade, com uma série de pequenos objetos de maquiagem. Ao longo do evento, eles desapareceram. "O que fica solto corre o risco de desaparecer", continua Silvia.

Personalidades. Nesta edição, porém, tem uma turma de profissionais ainda mais preocupada do que a maioria. São os arquitetos que assinam os 13 espaços de personalidades homenageadas pela coordenação do evento, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o jogador Neymar e o artista plástico Gustavo Rosa, que chegaram a contribuir emprestando objetos pessoais.

Gustavo Rosa, por exemplo, cedeu temporariamente alguns quadros às arquitetas Andrea Teixeira e Fernanda Negrelli, que fizeram uma suíte em homenagem ao artista. "Elas chegaram a devolver as telas menores, porque ficaram preocupadas depois que um pote com pincéis, comprado pela produção para dar clima de ateliê, sumiu da suíte", conta Rosa.

Mesmo assim, o espaço de 62 m² tem seis quadros originais do artista. "Elas fizeram um quarto com tons neutros e elementos naturais que destacam a minha obra, que é conhecida por ser muito colorida. Faria um quarto assim em casa", diz Rosa.

Entre os destaques, uma cama suspensa por cordas atrai o público. E, espalhados pelo quarto, avisos de "proibido deitar", "proibido sentar" e proibido mexer nos objetos expostos". "Isso porque os visitantes se sentem tão à vontade, que experimentam tudo que o quarto oferece", diz Andrea.

O ingresso para a mostra de decoração custa de R$ 37 - de terça a sexta-feira - a R$ 41 - no sábado e domingo - e dá ao visitante direito de circular pelos quatro núcleos: Casa Cor, Hotel (onde está a maior parte das suítes dos homenageados), Kids e Talento. Todos os espaços são monitorados, segundo a coordenação do evento, por câmeras e 20 vigias.

Homenagens. No ano passado, o evento recebeu 160 mil pessoas. Para esta edição comemorativa de 25 anos, a organização espera público maior, até por causa dos curiosos e fãs dos homenageados. "Colocamos um segurança 24 horas na porta da suíte presidencial para garantir que nada aconteça à almofada do Lula e ao chapéu que dona Marisa usou na posse", diz Angelo Derenze, presidente da Casa Cor.

Sem vigia, mas com duas recepcionistas na porta, a suíte de Neymar é a mais disputada. Está sempre cheia de adolescentes com câmeras. Todos querendo tocar na camiseta, na chuteira, na bola, no boné e nas várias camisetas que estão dentro do armário - todas pertencentes ao jogador e muito bem presas. "É só um truque para evitar situações de perigo", explica Derenze.

Serviço

CASA COR: AV. LINEU DE PAULA MACHADO, 1.075, CIDADE JARDIM. DE TERÇA A DOM., INGRESSO A PARTIR DE R$ 37

Infraestrutura

30 mil

metros quadrados é o espaço que a mostra ocupa no Jockey

5 mil

pessoas trabalham na Casa Cor

PARA LEMBRAR

1ª edição foi em mansão

Em 1987, o empresário Geraldo Forbes emprestou sua casa para abrigar a 1.ª Casa Cor. A mansão ficava na Rua Dinamarca, no Jardim Europa, em São Paulo. Yolanda Figueiredo, fundadora do evento, inspirou-se na Casa Foa, uma mostra argentina que havia sido criada dois anos antes. Participaram da primeira edição - que teve 7 mil visitantes - 23 profissionais. Jorge Elias e Rosa May Sampaio, que exibem seus espaços na Casa Cor deste ano, estavam na estreia.

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