Para especialistas, distúrbio mental levou mãe a matar as filhas

Garotas foram baleadas na cabeça pela mãe, que teria sofrido uma 'crise nervosa' após discutir com as vizinhas

Camilla Haddad, José Dacauaziliquá e Marcela Spinosa, do Jornal da Tarde,

18 de fevereiro de 2008 | 11h23

Especialistas ouvidos pelo Jornal da Tarde afirmam que algum tipo de transtorno mental pode ter sido o motivo que levou Cristina da Silva Santos, 27 anos, a matar a tiros suas duas filhas, de 4 e 7 anos, no sábado, 16. "Ela pode estar com o juízo da realidade alterado", diz a psiquiatra Cristina Galvão de Oliveira. "Mas só um diagnóstico dirá se ela tem alguma doença psiquiátrica ou se é o caráter dela que não funciona bem."   Veja Também:  Crianças mortas pela mãe serão enterradas em Itaquera  Mãe mata as duas filhas em SP e ameaça se matar   Depois de seis horas e meia de negociação, policiais militares entraram, no fim da noite de sábado, na residência de Cristina, no Jardim Cinco de Julho, região de São Mateus, zona leste. Ela teve uma crise nervosa e matou as filhas Victória Santos da Silva, 4 anos, e Luana, 7, com tiros na cabeça.   Segundo a médica, Cristina está na fase em que os distúrbios mentais se manifestam. "Vinte e sete anos é uma idade de risco para doenças psiquiátricas aparecerem", diz. A psicóloga Etles Maziero diz que a patologia normalmente não é visível e, quando é, os sintomas são sutis. "Familiares precisam ficar atentos pois, às vezes, o paciente não sabe que está doente e algo pequeno é suficiente para se destruir o que está perto. E a pessoa não mede se é mãe, pai, filho."   Para Etles, a atenção dos familiares ao comportamento das pessoas próximas é fundamental para diagnosticar o problema precocemente. "As pessoas normalmente procuram ajuda quando estão muito agressivas. Às vezes ela está em depressão e, de repente, tem uma pulsão que gera um ato muito violento", explica. Sinais como falta ou apetite exagerado, insônia, isolamento e falta de produtividade demonstram que os familiares devem procurar um especialista.   Crise nervosa   Parentes e amigos da família dizem que Cristiana era depressiva e teria sofrido uma "crise nervosa" desencadeada por duas vizinhas. A dona de casa está internada no Hospital Planalto da Prefeitura, com diagnóstico de crise depressiva, sob escolta policial.   Apesar de ter perdido as duas netas, o pai de Cristina, Donizeti Cirino dos Santos, 51 anos, acredita na inocência da filha. "Há três meses minha filha apanhou dessas vizinhas e deu queixa na polícia. Elas têm inveja do casamento dela. Estamos com advogado e vamos mostrar que ela teve uma crise. Minha filha é inocente, amava as meninas. Essa tragédia foi culpa das vizinhas. Meu genro está em choque", disse Santos, acrescentando que a situação estava "insustentável" e que Cristina, o marido e as filhas se mudariam para outro bairro amanhã.   Na tarde de sábado houve novo bate-boca entre as vizinhas. Cristina correu para casa e se trancou com as filhas. Ela começou a jogar objetos nas mulheres, até acertar outra moradora do local, que não estava na confusão. A Polícia Militar foi chamada e os policiais pediram para que Cristina lhes acompanhasse até a delegacia por conta da agressão. A dona de casa falou que iria dar banho nas filhas e depois sairia. Quinze minutos depois, foram ouvidos dois disparos. Cristina atirou nas cabeças de Victória e Luana.   Os PMs tentaram entrar na casa, mas a porta estava trancada. Eles subiram pela varanda e viram as meninas ensagüentadas na cama de casal e a mulher com um revólver calibre 38 - que pertence ao marido dela, que trabalha como segurança - apontado para a própria cabeça.   Foi pedido reforço, a área foi isolada. Apenas uma hora depois Cristina deixou os policiais entrarem para socorrer a filha mais nova. Victória foi levada de helicóptero ao Pronto-Socorro Santa Marcelina, onde já chegou morta. Após meia hora, a mãe deixou os policiais levarem Luana. A menina também chegou morta ao Hospital de São Mateus.   A dona de casa ameaçava se matar e falou que queria a presença da mãe. Somente aí as negociações avançaram, mas ela não se entregou. Foi preciso que, às 23h20, os policiais entrassem na casa e a dominassem. Ela foi levada para o hospital e deve responder pela morte das duas filhas. O revólver e 30 balas foram apreendidos pela polícia.   Evangélica, Cristina é tida como uma pessoa normal pelos vizinhos. Uma amiga disse que ela era "zelosa" com as filhas. "As filhas estavam sempre impecáveis. Não ficavam na rua. Estavam sempre em casa, em segurança."   Nos portões de algumas residências da rua, famílias estavam enfurecidas. "Essa mulher tem que morrer, pena de morte para ela", gritava um senhor em cadeira de rodas. Outra moradora falou que ela costuma ser reservada, mas sempre arruma briga com vizinhas. "São desentendimentos bobos, ela se metia na briga das filhas dela com outras crianças. Aí outras mães tomavam partido e partiam para cima de Cristina."   Moradoras da Rua Borda do Campo passaram a manhã de domingo fazendo uma "vaquinha" na tentativa de arrecadar dinheiro para o enterro das duas irmãs. Victória e Luana foram enterradas no domingo à tarde, no Cemitério de Itaquera.   Tensão e violência na zona leste   16h30: Cristina se tranca com as filhas em casa para se livrar de um grupo de mulheres e arremessa um banquinho numa moradora.   16h50 : A polícia é chamada. Os policiais pedem para a mulher acompanhá-los por causa da agressão. Ela fala que vai dar banhos nas filhas e sairá em seguida   17h05: Ela atira nas filhas e ameaça se matar   18h05: os PMs entram para socorrer Victória. Meia hora depois, para levar Luana. As duas não resistem e morrem   23h20: Cristina é dominada

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