Para especialista, mercado negro tem de ser combatido

De acordo com o coronel reformado José Vicente da Silva, faltam gestão e maior cobrança dos policiais por resultados

O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2014 | 02h03

O mercado de celulares roubados carece da mesma falta de fiscalização do mercado ilegal de carros. Conforme o coronel reformado da Polícia Militar e consultor em Segurança Pública José Vicente da Silva, este é um dos argumentos que explicam o crescimento dos roubos de telefones nas ruas do Estado.

"O celular sempre foi um objeto de status, de bastante interesse dos criminosos. Mas isso cresceu ainda mais, pois, de alguns anos para cá, o valor dos aparelhos subiu muito, para cerca de US$ 1 mil. Além disso, o comércio paralelo quase não sofre fiscalização. É uma facilidade muito grande para os criminosos", afirma o especialista.

"O roubo de carros, historicamente, é tido como uma ação do crime organizado. Organizado porque ocorre necessariamente com crimes paralelos, como falsificação de documentos e alteração de chassis. Com celulares, há todo um comércio paralelo também", explica, ao comparar ambas as "indústrias".

"(Esses delitos) crescem porque é preciso haver mais cobrança da polícia em apresentação de resultados. Já conheci muitos exemplos no mundo e miro muito no que foi feito em Nova York, onde os índices de criminalidade caíram com gestão e cobrança para que os policiais apresentassem resultados", garante Vicente da Silva. "Aqui, a própria Polícia Civil reconhece que só 2% dos casos de roubo são esclarecidos", conclui.

O governo do Estado tem buscado emplacar a ideia de que, agora, há ferramentas eficientes para combater o crime organizado do setor automotivo. Desde que aprovou uma lei que aumenta as exigências burocráticas para os desmanches, o Estado tem feito fiscalizações nesses comércios e, só no último mês, 18 desmanches foram fechados.

'Fenômeno social'. Quando os dados criminais de junho foram apresentados, há nove dias, o secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, foi cobrado em relação ao crescimento de roubos. Afirmou que não havia uma única explicação. "São diversos fatores, até econômicos", arriscou. "É um fenômeno social."

Mas a Polícia Civil destacou que parte do crescimento poderia ter relação com o início, no fim do ano passado, do registro de boletins de ocorrência de roubos pela internet - o que não havia antes.

O registro eletrônico poderia reduzir a subnotificação de crimes - assaltos que não eram registrados começariam a entrar nas estatísticas. O coronel José Vicente aceita a justificativa em parte. "Isso realmente pode estar acontecendo. Mas não explica todo o fenômeno", afirma.

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