Para engenheiro, pista foi liberada antes do tempo

'Para que as obras fossem concluídas, faltou um serviço, que são as ranhuras', diz Dario Lopes

Andréia Sadi, do estadao.com.br

18 de julho de 2007 | 16h11

O engenheiro Dario Rais Lopes, do Instituto de Engenharia de São Paulo,que acompanhou a recente obra na pista do Aeroporto de Congonhas, disse que as pistas foram liberadas antes do tempo." É inegável que a pista não estava segura, mesmo após as obras. Para que as obras fossem concluídas, faltou um serviço, que são as ranhuras", disse Lopes. As ranhuras,ou grooving, escoam água e ampliam aderência na hora do pouso. As obras do Aeroporto de Congonhas começaram no mês de fevereiro.   Veja também: Lista das 186 vítimas do acidente O local do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Os piores desastres aéreos do Brasil A cronologia dos acidentes em Congonhas Conheça o Airbus A320 Galeria de fotos Assista a vídeos feitos no local do acidente Conte o que você viu e o que você sabe   Embora concorde com a liberação antecipada das pistas, Lopes disse em entrevista ao  estadão.com.br que ainda é "prematuro" falar sobre as causas do acidente do vôo 3054. "É cedo para falar sobre as causas, está muito recente", disse o engenheiro.   Lopes lembrou que antes do acidente dois escorregamentos na pista de Congonhas aconteceram, mas nada foi feito a respeito. Ele acredita também que o acidente poderia ter acontecido em qualquer lugar, não é uma ''exclusividade''de Congonhas.   "Não sei qual foi o motivo. Se foi uma falha humana ou uma falha técnica, poderia ter acontecido em qualquer aeroporto do mundo."As pessoas não tem que ter medo de Congonhas, mas é claro que todos esses acidentes causam pânico".   Novela sem fim   Para o engenheiro, o acidente do vôo 3054 da TAM, na última terça-feira, é mais um episódio da crise aérea. "Acidente é mais um capítulo da crise". Edemar Amorim, presidente do Instituto, faz coro com Lopes. "O acidente da Gol vai completar um ano e nada foi feito."   Mais que um problema técnico, Lopes e Amorim acreditam que o acidente é um problema de gestão." Não é culpa técnica, quem deveria se preocupar está (preocupado) com vaias no Maracanã. Os aeroportos estão na mão do governo federal, se bate um ônibus, ninguém liga, mas se morre político..". A menção é a Julio Redecker (PSDB), líder da minoria na Câmara, que está entre as vítimas do vôo 3054.   O acidente envolvendo o Airbus da TAM aconteceu na noite da última terça-feira. Pelo menos 190 pessoas, entre 186 à bordo do avião e cinco mortos no solo, estão entre as vítimas da tragédia. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, 157 corpos foram resgatados do local e 63 foram examinados no Instituto Médico Legal. Nove vítimas, sendo sete passageiros e dois pedestres, já foram identificadas.

Tudo o que sabemos sobre:
Vôo 3054

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.