Para editor do NYT, iniciativa enriquece jornal

O editor da seção de Notícias Interativas do jornal The New York Times, Aron Pilhofer, trabalha, desde 2006, em conjunto com uma equipe de 14 jornalistas que também são desenvolvedores e se envolvem diariamente em reportagens baseadas em um grande volume de dados e desenvolvem aplicações que enriquecem o material jornalístico. Para ele, que se declara mais jornalista do que hacker, o mais emocionante seria ver repórteres lidando bem com uma simples planilha. E ele gostou da iniciativa do jornal brasileiro, além do nome Hackatão: "É mais uma palavra nova para meu léxico", disse, em entrevista por e-mail.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h08

Como é a relação entre hackers e jornalista na redação do New York Times?

Somos parte do processo editorial, não diferente do resto. Somos chamados a participar da reportagem logo no começo para trabalhar em conjunto com os repórteres e editores.

Quais foram as reportagens mais bem-sucedidas que essa interação já proporcionou?

No nosso caso, eu acho que projetos como Toxic Waters (série sobre poluição da água nos EUA) e WikiLeaks merecem a atenção. Em ambos os casos, a equipe de reportagem e a de tecnologia trabalharam de forma integrada o tempo todo e foram complementares.

A capacidade de extrair informações a partir de um grande volume de dados é uma habilidade fundamental para o jornalista do futuro?

É importante sim, mas não fundamental. A maioria dos jornalistas - mesmo hoje - são completamente ignorantes quando o assunto é usar dados e analisá-los como parte de sua reportagem. Se suas vidas dependessem de uma planilha, eles simplesmente não saberiam se virar com ela. Houve um tempo em que isso era provavelmente OK. Mas o que fazemos está, cada vez mais, baseado em registros públicos mantidos em formato eletrônico. É um problema sério. Eu adoraria se cada jornalista pudesse fazer sua própria análise de dados e trabalhar com grandes volumes de informações. Mas, honestamente, eu já ficaria bem emocionado só de vê-los lidando melhor com coisas mais simples, como planilhas.

/ NAYARA FRAGA

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