Para driblar punição, empresa cria produtos

Unimed Paulistana lançou 50 novas opções, como o plano bronze, que tem a mesma cobertura do antigo básico

Fernanda Bassette, Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2013 | 02h04

A proibição da venda de alguns tipos de planos não impede as operadoras de venderem seus produtos. Para driblar a punição, muitas empresas criam opções similares às suspensas pelo governo. O "jeitinho" é usado, por exemplo, pela Unimed Paulistana, que ficou um ano proibida de comercializar 52 tipos de planos, como o básico e o integral. No mesmo período, lançou 50 produtos, entre eles os chamados metais: bronze, prata, ouro e platina.

A Greenline usou a mesma estratégia. Com 71 planos suspensos no último ano, resolveu criar outros 60 produtos. "É tudo igual. As operadoras deixam de vender uns para vender outros", diz a relações públicas Michele Vitor, de 32 anos, cliente da Amil, que chegou a ter 122 planos suspensos ontem.

Para não perder a fatia de mercado, as opções novas substituem as antigas. O plano bronze da Unimed, por exemplo, tem cobertura similar ao básico, que estava vetado. Segundo Paulo Leme, presidente da operadora, isso foi feito para recondicionar os planos de pessoas jurídicas e para que houvesse uma readequação no mercado.

"A categoria de metais faz parte do planejamento estratégico para minimizar a perda da carteira. São planos que têm mais ou menos as mesmas características dos anteriores."

Para o advogado Julius Conforti, especialista em direito do consumidor, as ações demonstram que as punições não provocam impacto financeiro. "Sem doer no bolso, não há uma mudança de conduta", avalia ele, que defende punições mais severas. "Acho que a operadora deveria ser proibida de vender todos os tipos de planos ou de lançar novos."

Retorno. A Unimed Paulistana conseguiu ontem reativar seus planos suspensos e a Greenline poderá voltar a vender 55 dos 71 tipos vetados. A decisão foi criticada por parte dos clientes, como a psicóloga aposentada Lilian Spaulonsi Ziwian, de 50 anos. Ela tem esclerose múltipla há quase 10 anos e se tratava no Hospital Samaritano, que foi descredenciado pela Unimed. "Não substituíram por outro do mesmo padrão. Estou pensando em mudar."

Foi o que fez, há menos de um mês, Sônia Tomako Ikeda, de 50 anos. Após pagar por 20 anos um plano da Unimed para a mãe, de 76, a assistente de diretoria desistiu. "Pelo menos três hospitais que procuramos não estavam mais aceitando pacientes da Unimed", afirmou.

Leme disse que a operadora está negociando com os hospitais e informou que o Samaritano foi substituído pelo Hospital Oswaldo Cruz e as internações, pelo Santa Helena.

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