Peter Leone / Futura Press
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Para Dilma, prisão de Boulos é 'inaceitável' e representa perseguição

Petista afirmou que detenção 'criminaliza a defesa dos direitos sociais'; parlamentares de partidos de esquerda falam em 'ato de repressão política'

Daniel Weterman e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2017 | 13h19

BRASÍLIA E SÃO PAULO - A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) divulgou nota em que considera "inaceitável" a prisão do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, e disse que o ato representa uma perseguição aos movimentos sociais.

Boulos foi detido pela Polícia Militar após reintegração de posse em um terreno particular na Rua André de Almeida, em São Mateus, na zona leste de São Paulo, na manhã desta terça-feira, 17.

Segundo o MTST, ao menos 700 famílias moravam no local, conhecido como Ocupação Colonial em São Mateus. Boulos foi detido por desobediência civil e incitação à violência.

"A prisão do líder do MTST, Guilherme Boulos, é inaceitável. Os movimentos sociais devem ter garantidos a liberdade e os direitos sociais, claramente expressos na nossa Constituição cidadã, especialmente, o direito à livre manifestação", escreveu Dilma.

Para a ex-presidente, prender o líder evidencia um forte retrocesso. "Mostra a opção por um caminho que fere nossa democracia e criminaliza a defesa dos direitos sociais do nosso povo."

Outras manifestações. Parlamentares de partidos de esquerda reagiram com indignação à detenção de Boulos. Em nota, os deputados chamaram a prisão de "arbitrária" e concluíram que a medida configura "ato de repressão política" por parte da Polícia Militar paulista.

"A PM-SP, comandada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), segue à risca a orientação de repressão total aos movimentos sociais imposta pelo Ministro de Justiça do governo golpista de Michel Temer, Alexandre de Moraes, que foi durante vários anos secretário de Segurança Pública dos governos tucanos em São Paulo e contra o qual pesam sérios questionamentos quanto à sua conduta à frente dos órgãos públicos pelos quais passou", disse o líder do PT, Carlos Zarattini (SP).

Na nota, o petista disse que causava "espanto e indignação" a detenção ter ocorrido enquanto Boulos dialogava com policiais e as famílias removidas.

"Em vez de garantir o diálogo, a polícia optou pela repressão explícita, usando um dispositivo arcaico do Código Penal - a acusação de 'desobediência civil' - para justificar a prisão de um dirigente político, ação que é típica de regimes totalitários", afirmou Zarattini.

O deputado destacou que o terreno onde estavam 700 famílias não cumpre sua função social de propriedade, como estabelece a Constituição. Ele afirmou que a bancada tomará as medidas para liberar Boulos e cobrará investigação sobre eventual abuso cometido pelos policiais.

Outro a se manifestar publicamente sobre o episódio foi o deputado Orlando Silva (PC do B-SP), que classificou a prisão de "absurda". "Novamente vemos uma tentativa clara de criminalização de um movimento social e sua liderança, por parte do Estado", declarou.

O parlamentar também fez críticas à condução do governador tucano Geraldo Alckmin. "O governo Alckmin pratica cenas de violência lamentáveis contra uma população pobre e vulnerável e joga às ruas 700 famílias em uma demonstração de total insensibilidade", emendou. 

Já o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) manifestou pelas redes sociais apoio a Boulos, afirmando que o líder estava mediando conflitos em defesa dos direitos sociais. Por volta das 12h10, Farias escreveu no Twitter que Boulos havia sido solto.

"Mais uma prisão arbitrária da polícia de São Paulo que só confirma o Estado de exceção que estamos vivendo", disse o senador.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) disse que a prisão foi injusta e covarde. "A truculência da Tropa de Choque da Polícia Militar, que usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra homens, mulheres, idosos e crianças na manhã desta terça-feira, foi absurda e desnecessária."

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