Para Copa, capital vai pôr polícia em hotéis e reforçará segurança

Risco de atentados já preocupa e comissão debate mais rigor para a comercialização e o uso de explosivos

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

25 Março 2012 | 03h04

Durante a Copa do Mundo de 2014, os hotéis de quatro e cinco-estrelas da capital deverão ter até dois policiais cada um para atender os turistas. Também será preparado um corpo de segurança especializado para atuar na capital durante a competição, e a estrutura das delegacias será reforçada.

Pelo menos essas são as propostas do presidente da Comissão de Gestão para Assuntos da Copa em São Paulo, o delegado Aldo Galiano Junior. A intenção é dar agilidade ao atendimento ao turista. Parte das ideias surgiu depois de um encontro com autoridades inglesas, que cuidam da organização da segurança durante a Olimpíada de Londres, neste ano.

O delegado explica que a necessidade de ter um documento comprovando que foi vítima é uma questão cultural do turista estrangeiro. "Eles querem o boletim de ocorrência na hora. Até pelo que acontece em seus países, eles têm medo de que um documento que foi levado pelo ladrão seja usado para algum ataque terrorista."

O risco de atentados já é uma das preocupações das autoridades. "O Brasil não tem a cultura de terrorismo, mas o evento vai ter uma visibilidade muito grande e pode atrair a atenção de terroristas interessados em divulgar as suas causas."

Será sugerido também um controle maior na comercialização e no uso de explosivos. Atualmente, eles já são utilizados em atividades criminosas em São Paulo por quadrilhas especializadas em ataques a caixas eletrônicos. No fim de fevereiro, cerca de meia tonelada de explosivo plástico desapareceu, depois do roubo a um caminhão que circulava pela capital sem fiscalização - a polícia suspeita que o material foi parar na mão dos bandidos.

Mão de obra. Para receber o certificado de capacitação para a Copa, cada policial escolhido para atuar na competição deverá participar de até 12 cursos, como o de negociação de reféns, por exemplo. "Na Inglaterra, há uma faculdade para policiais que querem especializar-se no atendimento a emergências."

Também será sugerida a contratação temporária de pessoas treinadas para orientar, atender e até mesmo oferecer primeiros socorros ao turista. No Reino Unido, eles são os "stuarts", universitários que ganham até 200 libras por evento para executar esse tipo de serviço, com papel diferenciado em relação à tradicional segurança privada.

Câmeras. Segundo Galiano Junior, o acesso dos torcedores ao estádio do Corinthians, local das partidas da Copa em São Paulo, será acompanhado pela polícia. "Eles vão aos jogos de trem ou de metrô. Já são 1.300 câmeras de segurança em cada um desses meios de transporte."

O delegado explica que o principal temor das autoridades, no momento, é com as fan fest, que reúnem torcedores para acompanhar os jogos em telões espalhados pela cidade. A iniciativa privada poderá colaborar com a segurança durante esses eventos, liberando a polícia para outras atividades.

Como já acontece atualmente, serão proibidas aglomerações de torcedores na Avenida Paulista, que está na rota dos principais hospitais da capital paulista. "Se for necessário remover uma ou duas pessoas para hospitais, é possível fazer isso de helicóptero. Mais do que isso, só por terra, por isso é preciso ter a via liberada", diz Galiano Junior.

Internet. O delegado afirma que, durante visita à Inglaterra, foi alertado por policiais de lá que sites na rede mundial já vendem pacotes completos com ingressos para a final e "hostess" (recepcionistas), com champanhe na chegada ao Brasil. "Já fica subentendido que se trata de um serviço associado à exploração da prostituição."

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