Para conter saques, área terá cães treinados

Serviço Funerário vai trocar iluminação e reforçar vigilância com guardas-civis

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2014 | 02h03

O Serviço Funerário do Município de São Paulo planeja colocar nova iluminação, guardas-civis metropolitanos e até cães de guarda treinados dentro do Cemitério da Consolação, na região central. O plano para tentar frear a onda de furtos é coordenado pela advogada Lúcia Salles França Pinto, de 52 anos, nova diretora do Serviço Funerário. A própria família da advogada mantém um túmulo no cemitério desde 1862.

"Os furtos não começaram agora. É que passamos a fazer o registro de tudo o que é furtado. Não estamos escondendo mais o problema para debaixo do tapete", disse a diretora. Com o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro, ela se reúne amanhã com o secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, para tratar, entre outros assuntos, da segurança nos cemitérios.

A gestão Fernando Haddad (PT) também vai colocar durante o período da madrugada cães treinados, da raça pastor alemão, para fazer "rondas" dentro dos cemitérios com maior registro de furtos, como o da Consolação e o Araçá, em Pinheiros, na zona oeste.

"Estou conversando com (o secretário municipal de Segurança Urbana) Roberto Porto para reformar a segurança na Consolação. Mas eu não tenho como colocar um guarda em cada túmulo. É um espaço privado, e eu não posso contratar segurança pago com dinheiro de imposto do morador da Cohab para vigiar jazigos privados", afirmou Lúcia.

Hoje apenas dois funcionários fazem a vigilância do espaço de 76 mil metros quadrados nas madrugadas. Os furtos acontecem principalmente nos túmulos próximos do muro que faz frente com a Rua da Consolação, na parte mais baixa e sem arames farpados. Só existem seis câmeras de segurança nos quatro cantos do cemitério.

"Tem muitas árvores balançando na frente dessas câmeras, o que atrapalha a visão. Vamos reorganizar essa forma de monitoramento, com a instalação de novos equipamentos", disse a diretora. Sensores que fazem disparar uma luz forte na presença de pessoas, como os que existem na frente de alguns prédios residenciais de áreas nobres, também serão instalados nas principais quadras do Cemitério da Consolação.

A Polícia Civil enviou na semana passada investigadores ao cemitério que ouviram funcionários e parentes que tiveram seus jazigos furtados. Dois depoimentos de familiares também foram prestados no 4.º Distrito Policial, onde está o inquérito sobre a onda de furtos. Nos últimos dois meses o Serviço Funerário já solicitou reforço das rondas da Guarda Civil Metropolitana (GCM), mas os furtos, segundo funcionários, ocorrem quase sempre durante as madrugadas.

O promotor Valter Santin, do Patrimônio Público do Ministério Público Estadual, também acompanha o caso.

Sem privatização. A nova diretora do Serviço Funerário adiantou ao Estado que o governo atual não tem nenhuma intenção de privatizar o órgão, como chegou a ser estudado em 2009. "O estado de bem-estar social precisa ser acolhedor no momento mais sensível das pessoas. Transformar o corpo de um ente querido em mercadoria não é certo", afirmou Lúcia, que comandou o setor de Abastecimento na gestão Luiza Erundina (1989-1992). 

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