Para blindar Kassab, Prefeitura faz 'dossiê enchente'

A cúpula de comunicação do prefeito Gilberto Kassab (DEM) solicitou aos assessores de imprensa das principais secretarias de governo a elaboração de "dossiês" com os respectivos investimentos antienchente realizados nos últimos 12 meses. Cada chefe de assessoria das 31 subprefeituras também terá de levantar as ações programadas para 2011 em seus bairros, como canalizações de córregos e construção de piscinões.

Diego Zanchetta, Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2010 | 00h00

O objetivo da Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) é ter em mãos o maior número de informações possível para rebater críticas e reportagens negativas ao governo durante o período de chuvas.

A Prefeitura recebeu relatórios meteorológicos que indicam um período de temporais a partir do início de dezembro semelhante ao do verão passado, quando choveu por 54 dias ininterruptos na cidade. Entre o fim de 2009 e o início deste ano, quando o Jardim Romano ficou alagado e 3 mil famílias tiveram de deixar suas casas, o prefeito viu a popularidade de seu governo despencar para 28% nas avaliações de "bom" ou "ótimo".

A ordem agora é blindar Kassab contra notícias que associem seu governo às enchentes, como ocorreu no ano passado - o governo cortou 20% da verba de coleta do lixo e varrição dois meses antes das chuvas, o que agravou as cheias. Neste ano, Kassab investiu R$ 420 milhões em ações antienchente, 40% a mais do em 2009. A previsão no Orçamento de 2011 é de que o gasto chegue a R$ 540 milhões. Esses dados deverão ser explorados pelos assessores nos próximos três meses.

A estratégia foi discutida em reunião ontem à tarde no Edifício Matarazzo, no centro de São Paulo. Nela estavam o coordenador de Comunicação, Sergio Rondino, e chefes das assessorias de secretarias e subprefeituras. Os assessores também foram informados de que levantamentos internos feitos pelo DEM na semana passada indicam que o índice de aprovação ao prefeito voltou a subir e chegou a 42%. E por isso é importante blindar Kassab contra críticas por conta das chuvas.

Os assessores kassabistas avaliaram que o Jardim Romano, símbolo das chuvas do verão passado, não deve alagar da mesma forma neste ano. Em novembro, deve ser inaugurado um dique de 1.400 metros na várzea do Rio Tietê, para contenção de águas do manancial. Procurada ontem, a Secom informou que a reunião teve como pauta a "organização do trabalho interno".

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