Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Para Alckmin, 'não faz sentido' MTST querer invadir sede da Sabesp

Governador diz que estatal está 'suando a camisa' para resolver os problemas de abastecimento de água; sem-teto marcaram protesto

Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2014 | 15h24

SÃO PAULO - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou nesta quinta-feira, 25, que "não faz nenhum sentido" que integrantes Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MSTS) invadam a sede da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O movimento marcou um protesto para esta quinta-feira, no qual pretendiam ocupar o prédio da estatal.

Para o Alckmin, a empresa está "suando a camisa" para garantir o abastecimento de água à população da Região Metropolitana. "Espero que não haja (a invasão). Não tem nenhum sentido. A Sabesp é uma empresa que está suando a camisa para enfrentar uma seca que é duríssima", disse o governador depois de visitar o Parque Linear Várzeas do Tietê, na zona leste da capital.

O MTST e o Movimento Periferia Ativa marcaram esta quinta-feira, às 16h, um protesto contra a falta de água em bairros da periferia da capital paulista. Segundo os organizadores, o ato começa no Largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste, com destino à sede da Sabesp, na mesma região. Depois, eles prometem bloquear a Marginal do Pinheiros, em pleno horário de pico do trânsito na via. 

Os sem-teto afirmam que o objetivo da manifestação "é cobrar soluções e denunciar o racionamento permanente que está sendo feito em bairros da periferia de São Paulo e a falta de respostas do governo em relação ao tema".

Segundo o movimento, uma lista de bairros afetados pelos cortes no abastecimento de água foi apresentada em uma reunião com Alckmin em julho, mas a entidade não obteve nenhum retorno do tucano. Desde o início da crise no Sistema Cantareira, em janeiro, a Sabesp tem negado racionamento de água, apesar das queixas da população.

Segundo pesquisa Ibope divulgada no início deste mês pelo Estado, 50% dos paulistanos relataram ter sofrido interrupção no abastecimento de água em suas casas nos últimos três dias. Em todo o Estado, o índice foi de 38%.

De acordo com o levantamento, para 37% dos paulistas a culpa da falta d'água é a escassez de chuvas na região dos mananciais. Outros 14% responsabilizam o desperdício do consumidor, 13% culpam Alckmin, 13% debitam o problema às empresas de abastecimento e outros 8% à falta de investimentos.   

Além da questão da água, o MTST afirma que o ato também tem como objetivo "denunciar os despejos que estão sendo feitos e os que estão previstos para as próximas semanas" na cidade, como o da ocupação denominada Chico Mendes, no bairro do Morumbi, zona sul da capital.

"A Prefeitura de São Paulo e o governo estadual só têm apresentado a polícia como solução para as famílias despejadas", afirmam as organizações.

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