GABRIELA BILO / ESTADAO
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Para Alckmin, não dá para comparar ciclovias da Prefeitura e do Metrô

TCE mostra que equipamento na linha Ouro do monotrilho custou quase seis vezes o preço das faixas instaladas pelo governo municipal

Fabio Leite e José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

11 Agosto 2016 | 18h54

SOROCABA - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), contestou nesta quinta-feira, 11, as conclusões do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de que a ciclovia provisória construída no início de 2014 pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) na Marginal do Pinheiros, zona sul da capital, custou 6 vezes o preço médio das ciclovias feitas pela gestão Fernando Haddad (PT) na cidade. “Não é verdade. Não se pode comparar duas coisas diferentes. Você tem uma avenida asfaltada, pinta a faixa e faz uma ciclovia, como é o caso da Prefeitura. Diferente é pegar um terreno sem nada, movimentar a terra e fazer a ciclovia, e também o acesso ao trem, porque a ciclovia é ao lado da linha. Não é possível comparar coisas diametralmente opostas.”

Segundo relatório de fiscalização do TCE, a ciclovia de 7,7 km de extensão feita entre a Ponte João Dias e a Vila Olímpia, na Marginal do Pinheiros, por causa da interdição de um trecho da pista original provocada pelas obras da Linha 17-Ouro do Monotrilho, custou R$ 9,6 milhões. O valor, segundo o órgão, corresponde a R$ 1.258 o metro de ciclovia, acima dos R$ 200 por metro gasto pelas prefeituras de São Paulo e Campinas, segundo levantamento feito pelo tribunal.

O secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, disse nesta quinta que o cálculo feito pelo TCE está “equivocado”. Segundo ele, os R$ 9,6 milhões pagos ao consórcio que executava as obras do monotrilho incluíram, além da ciclovia, a instalação de escadas metálicas para travessia pela ponte sobre o rio – a ciclovia provisória fica na margem oposta –, a construção de uma faixa de serviço para empresas que usam a área e o transporte de ciclistas por vans durante os cem dias de obras da nova pista. “Se você excluir todos esses serviços adicionais e considerar apenas a ciclovia, o preço é de R$ 175 o metro nos trechos sem grade e de R$ 291 nos trechos com grade, ou seja, um preço compatível com o de mercado. Da forma como divulgado, passou a impressão de que a ciclovia foi superfaturada e isso não é verdade”, disse Pelissioni.

As conclusões do TCE constam de um extenso pedido de explicações publicado na quarta pelo conselheiro Antônio Roque Citadini com mais de 70 perguntas ao Metrô sobre os atrasos e custos da obra, que teria saltado de R$ 1,4 bilhão para R$ 3,1 bilhões. Segundo Citadini, os elementos existentes no processo demonstram que o Metrô “embarcou em uma aventura quando decidiu construir a Linha 17-Ouro”.

Prazo. Pelissioni disse que vai esclarecer os questionamentos ao TCE. Segundo ele, os aditivos contratuais e os atrasos na entrega da Linha 17, prometida para 2014, aconteceram por uma série de motivos externos ao Metrô, como a crise econômica do País e o envolvimento das empreiteiras na Lava Jato. Ele disse que pretende entregar em 2018 o trecho de 7,7 km da Estação Morumbi da Linha 9-Esmeralda da CPTM até o Aeroporto de Congonhas, ao custo de R$ 2,5 bilhões. Os trechos até a Linha 4-Amarela e a Linha 1-Azul foram abandonados.

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