Para Alckmin, explicação da ONU foi 'retratação'

Para Alckmin, explicação da ONU foi 'retratação'

Tucano disse que críticas de relatora continha mentiras e que visão dela não representava o órgão; coordenador no País enviou carta

Marco Antônio Carvalho e Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2014 | 14h18

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, classificou como "retratação" o documento enviado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que explicou as circunstâncias de críticas feitas pela relatora Catarina Albuquerque sobre a crise hídrica no Estado.  "A ONU já se retratou. Ela mandou um documento dizendo que a vinda da senhora aqui não representava a ONU", disse em entrevista nesta sexta-feira, 24.

Catarina havia dado declarações em agosto responsabilizando a administração estadual pela situação hídrica que São Paulo atravessa, o que gerou uma reclamação oficial do governador direcionada ao secretário-geral da ONU, Ban Kin-moon. Uma carta foi enviada nesta quinta-feira, 23, a Alckmin pelo coordenador residente da ONU no Brasil, Jorge Chediek.

Alckmin acrescentou ainda que o relatório elaborado contém mentiras. "Não tem nenhum problema falar, só não pode falar mentira. Dizer que a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) tem 40% de perda quando tem 20%. Ela não pode falar mentira", declarou. 

Em fevereiro, o Estado mostrou que, apesar de dizer desperdiçar 24% da água durante a distribuição à população, a Sabesp tem índice real de perdas no trajeto entre a represa e a caixa d'água dos consumidores de 31,2% de todo o volume produzido em 2013.

Segundo Alckmin, foi informado que a última representação do órgão no Brasil ocorreu em 2013, em encontro sobre meio ambiente. Ele também criticou a suposta falta de comunicação da responsável pelo relatório com o governo. "E aliás [ela] nem se reuniu com o governo para ouvir e nem com a Sabesp, que é a empresa responsável", disse.

A resposta da ONU, no entanto, não fala em retratação e se resume a explicar o papel das relatorias das comissões ligadas à ONU. Foi informado que Catarina Albuquerque não estava no Brasil em viagem oficial quando fez críticas à falta d'água em São Paulo.

"Embora atuando em sua capacidade de especialista independente nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos, as manifestações realizadas durante este contexto não compõem qualquer documento oficial das Nações Unidas ou foram submetidas ao conhecimento e à apreciação do Conselho", diz o texto da carta obtida pelo Estado e publicada na edição desta sexta-feira.

Nesse sentido, foi informado que Catarina tem independência e suas posições não estão sujeitas ao controle da instituição. Também afirmou que as conclusões dos relatores não refletem necessariamente posições oficiais da ONU. O coordenador escreveu também que o desempenho do mandato do relator se dá desde que ele esteja atuando em missão oficial.

"Para o desempenho de seus mandatos, as relatorias atuam em missão oficial, por meio de visitas aos países, a partir de coordenação com o Estado-membro das Nações Unidas", afirmou Chediek no documento, ao pontuar também que Catarina esteve representando a entidade no Brasil em dezembro de 2013.

As críticas dela em relação à crise hídrica foram feitas em agosto, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Em ofício enviado ao secretário-geral da ONU, Alckmin afirmou que há "erros factuais inaceitáveis" e que "a relatora decidiu fazer as declarações a poucas semanas da eleição com propósito de inflamar a campanha", forçando a ONU a tomar um lado político.

Ele questionou ainda a habilidade da ONU em organizar a Cúpula do Clima. A carta foi publicada pelo portal de notícias UOL. O Palácio dos Bandeirantes afirmou que o ofício, "na verdade, é uma resposta do governador a um convite feito por Ban Ki-moon" para a cúpula. O governo de São Paulo disse que aproveitou para "indagar se a funcionária" da ONU falava em nome do órgão ou dela própria.

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