Wilton Junior/AE
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Papa prepara reforma e cortes na Cúria

Francisco desistiu das férias para estudar plano de mudança administrativa; dados mostram queda de 12% na receita da Igreja em 2012

Jamil Chade - Correspondente/Genebra, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2013 | 02h04

O papa Francisco se prepara para fazer a principal reforma administrativa da Cúria em décadas, incluindo a redução de departamentos inteiros, a adoção de uma estrutura mais eficiente na gestão da Igreja e mesmo um corte importante de gastos. O pontífice optou por não tirar férias neste ano, como os papas costumam fazer no mês de agosto, justamente para trabalhar sobre a reforma que quer começar a implementar no segundo semestre. Mas seu comportamento já provoca críticas.

O balanço da instituição aponta que, depois de prejuízos de 15 milhões registrados em 2011, o ano passado fechou com um saldo positivo de 2,1 milhões. Só a Cidade do Vaticano, com seus 1,9 mil empregados, teve um superávit em suas contas de 23 milhões. Mas Francisco deixou claro aos membros do clero que não há motivos para comemorar. Para ele, uma reforma precisa começar a ser implementada para reduzir custos, "simplificar e racionalizar órgãos", além de um plano mais cuidadoso das atividades da administração.

Queda. A reforma faz parte de um esforço do papa em ter uma Igreja com uma imagem de menos ostentação. Mas ela também é uma exigência financeira. A receita da Igreja caiu de forma substancial em 2012, em decorrência de uma redução drástica das contribuições dos fiéis pelo mundo.

Em 2011, a Igreja recebeu contribuições de US$ 69,7 milhões. No ano passado, esse volume caiu 12%. Se não bastasse, desde 2012, o Vaticano tem sido obrigado a pagar impostos ao governo italiano por suas propriedades em Roma, e isso significou custos extras de 5 milhões a mais. Para 2013, o valor dos impostos deve subir ainda mais.

O Vaticano se beneficiava de isenções fiscais. Mas, diante da crise na Itália, o governo de Roma passou a cobrar impostos sobre os edifícios do Vaticano que estejam sendo usados para hotéis, restaurantes ou lojas.

Simplicidade. Na semana passada, Francisco deu algumas pistas do que pode ser a reforma. "É importante que possamos viver a relação com a liturgia e com a fé com simplicidade e sem superestruturas, porque vivemos excessivamente da burocracia, inclusive a Igreja", declarou o papa em um encontro com bispos italianos.

Antes, nos dias 2 e 3 de julho, Francisco se encontrou com cardeais e administradores da Igreja - o cardeal arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, estava presente ao encontro. Na agenda, as contas da Igreja e sua reforma.

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