Papa já chama d. Orani de cardeal

Consistório deverá só confirmar a nomeação

José Maria Mayrink, enviado especial / Rio, Luciana Nunes Leal / Rio, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2013 | 02h11

O arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, que presidiu o comitê organizador da Jornada Mundial da Juventude, emocionou-se ontem durante a missa que encerrou o encontro católico, ao agradecer ao papa Francisco a presença na cidade e, mais tarde, quando ouviu um agradecimento do pontífice, que o chamou de cardeal, embora este seja um título que o bispo ainda aguarde.

Em seu discurso, d. Orani comentou imprevistos como a transferência da vigília e da missa final de Guaratiba para a Praia de Copacabana. "O frio e a chuva que nos acompanharam foram uma surpresa. Deus nos fala pelos acontecimentos. Não nos desesperamos se as coisas não acontecem como planejamos. O Senhor conduz a história", afirmou.

Dirigindo-se ao pontífice, d. Orani disse que a presença de Francisco foi "um anúncio de paz". "Já estamos com saudade. Segunda-feira vai faltar alguém muito importante e próximo de nós, que nos deixou muito felizes", afirmou. D. Orani disse que a missão agora é a evangelização. "Vamos contigo às ruas, às periferias, aos excluídos."

Sem lapsos. Não foi por acaso, por um lapso de memória, que Francisco chamou d. Orani de cardeal. O papa não se confundiria no tratamento, por mais estressado que pudesse estar - e parece que não estava -, depois de sete dias no Rio e visita em Aparecida. Mais provável que Francisco tenha adiantado para o arcebispo a concessão de uma honraria que virá em breve. Falta o consistório, a reunião de cardeais que confirmará a nomeação.

D. Orani já devia ter sido nomeado, mas se aguardava que d. Eusébio Scheid, arcebispo emérito do Rio, completasse 80 anos, o que ocorreu em dezembro, para que deixasse de ser eleitor em um eventual conclave. Embora não haja nenhuma regra escrita, é de praxe na Igreja que não haja dois cardeais eleitores na mesma diocese.

Primeira arquidiocese a ter um cardeal no Brasil e na América Latina, o Rio é considerado sede cardinalícia tradicional, ao lado de Salvador e de São Paulo. Se Francisco chamou o arcebispo de cardeal, pode-se dizer que já é. A escolha é do papa: o consistório é uma formalidade. Outro arcebispo que se encontra na mesma situação é o ex-núncio apostólico no Brasil, d. Lorenzo Baldisseri, atualmente secretário do Colégio dos Cardeais. Quando ele apresentou as vestes papais a Bergoglio, o novo papa pôs na cabeça dele o solidéu vermelho de cardeal. Era sinal de que Francisco estava criando o primeiro cardeal.

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