Papa é radicalmente contra legalizar qualquer droga

Pontífice ainda criticou todas as concessões possíveis, incluindo o fornecimento controlado a viciados para tratamento

VATICANO, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2014 | 02h05

O papa Francisco fez ontem na Itália seu mais duro pronunciamento contra as drogas, incluindo as consideradas leves. "Não se vence a droga com droga", disse aos participantes de uma conferência internacional sobre narcotráfico em Roma, em que criticou toda e qualquer forma de liberação.

"Deve-se dizer não a todo tipo de droga e sobre isso não podem existir concessões", destacou o pontífice, condenando indiretamente a liberação de maconha adotada no Uruguai. "A legalização de drogas consideradas leves, além de discutível do ponto de vista legislativo, não produz os efeitos esperados", ressaltou o papa, que trabalhou com jovens viciados quando era arcebispo de Buenos Aires, na Argentina.

Francisco criticou ainda qualquer procedimento de redução de danos - nos quais se permite o consumo, desde que de forma controlada. " As drogas substitutivas não são uma terapia eficaz, senão um modo velado de render-se ao fenômeno das drogas", completou. Para ele, o uso paliativo de "psicofármacos" e a liberação do pequeno consumo alimentam um mercado perigoso.

De acordo com o chefe da Igreja Católica, para lutar contra esse fenômeno "é necessário dizer sim à vida, sim ao amor, sim ao próximo, sim à educação, sim ao esporte, sim ao trabalho, sim a mais fontes de trabalho", destacou. "Caso concretizemos esse 'sim', não haverá lugar para a droga, para o abuso de álcool e para outras dependências."

No ano passado, durante a visita ao Brasil, Francisco já havia afirmado que não é deixando livre o uso das drogas, "como se discute em várias partes da América Latina", que se conseguiria "reduzir a difusão e a influência da dependência química". "É necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança", afirmou Francisco. / AFP

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