Panelaço reúne 300 pessoas no Parque do Povo

Moradores de bairros nobres da zona sul de SP protestaram ontem contra série de assaltos

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

19 Março 2012 | 03h01

A designer de interiores Rita Peano, de 45 anos, já foi assaltada duas vezes no semáforo das Ruas Leopoldo Couto de Magalhães Junior e Bandeira Paulista, no Itaim-Bibi, zona sul. A amiga Patrícia Levites, de 46, também passou por um grande susto, na entrada do Parque do Povo, localizado no mesmo bairro. Ameaçada por um ladrão armado, a empresária teve de entregar sua bicicleta.

Relatos parecidos de familiares e vizinhos fizeram Patrícia organizar um "panelaço" ontem no Parque do Povo, para chamar a atenção das autoridades. "Estamos fazendo barulho pela paz", diz ela. "Queremos proteção e segurança."

A concentração começou às 11 horas e reuniu cerca de 300 pessoas. Ao meio dia, participantes soltaram balões e saíram em passeata de meia hora. O panelaço foi um ato comandado só por mulheres - empresárias, comerciantes e advogadas. Algumas representavam outros bairros da zona sul, como Morumbi, Vila Mariana, Vila Nova Conceição, Jardim Lusitânia e Ibirapuera.

Era o caso da comerciante Karol Anness, conselheira do Parque do Ibirapuera, de 45 anos, que estava com os quatro filhos, Benjamin, de 8, Francis, de 7, e os gêmeos Jack e David, de 3. Os dois maiores carregavam uma faixa ilustrada com a foto de um bandido armado e a frase "Quem está no poder?".

Violência. Ao reunir lideranças de outras localidades, o movimento tinha a intenção de ampliar a discussão sobre segurança. "No Parque do Ibirapuera, temos problemas de prostituição e tráfico de drogas. Já achamos armas de fogo, heroína e cocaína", afirma Karol.

"Não dá para tratar a questão apenas de forma pontual. A polícia aperta de um lado e a bandidagem migra para outro. Não resolve", diz o industrial Luiz Augusto Guillaumon, de 57 anos, que também pedia mais segurança. Há um ano, ele deixou o apartamento onde morava no Morumbi. Nessa época, sua filha Dominique, de 21 anos, tinha escapado de um assalto à mão armada. "O bairro estava muito inseguro. Então mudei para o Itaim, que agora passa por uma onda de violência."

Fundadora do grupo Moradores do Morumbi, a empresária Roberta Caldas, de 47 anos, também foi dar seu apoio. "Desde que fizemos o panelaço em agosto no Morumbi, o governo deu mais atenção para o bairro. A região conseguiu três bases móveis, oito motos e cerca de 20 policiais fixos."

"Durante 75 dias, foi implantada a Operação Colina Verde, com 170 policiais para conter arrastões em prédios", completa Celso Neves Cavallini, presidente do Conseg Portal do Morumbi. Mas no Itaim-Bibi são os arrastões em restaurantes que preocupam. "Os donos desses estabelecimentos não fazem BO, com medo de afastar os clientes", diz Joyce Néia, de 54 anos, conselheira do Parque do Povo. "E, sem registro, a polícia não toma providência."

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