Pane no metrô causa pânico, deixa 250 mil pessoas a pé e para parte de SP

Falha em porta entre Estações Sé e Pedro II terminou com usuários andando nos trilhos e 31 atendimentos médicos; empresa culpa blusa

Renato Machado, Diego Zanchetta, Eduardo Reina, Márcio Pinho e Paulo Saldana, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

Uma falha no sistema de portas levou à paralisação por mais de duas horas, em pleno horário de pico da manhã, das 18 estações da Linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo, prejudicando diretamente 250 mil pessoas e levando o caos à zona leste. Centenas de pessoas que ficaram trancadas dentro dos trens, no escuro e sem ar-condicionado, acionaram o botão para abertura das portas e caminharam sobre os trilhos. Houve quebra-quebra e 18 trens foram danificados.

Os problemas tiveram início às 7h50. A composição 309, que vinha no sentido da zona leste para o centro, apresentou falha no sistema de sinalização de portas, antes de chegar à Sé. O painel dentro da cabine indicou ao operador que havia portas abertas ou não travadas. Por isso, o trem parou para a checagem. O diretor de Operações do Metrô, Conrado Grava de Sousa, informou que uma blusa impediu o fechamento das portas. "Um empregado se dirigiu rapidamente para a região do trem. E observou numa porta do último carro que existia um objeto na porta", ressaltou.

Sem explicação. A versão da blusa, no entanto, apresenta lacunas. A companhia não informou como o trem deixou a estação anterior, se havia algo travando as portas, e por que o sistema de sinalização só apontou esse obstáculo quando a composição estava em movimento.

"Em tese, uma composição não pode partir de porta aberta nem circular e a porta abrir. Uma falha pode levar a uma situação dessas", disse o presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô de São Paulo (Aeamesp), José Geraldo Baião. Ele afirma que a companhia está levantando detalhes na base de dados que dispõe para identificar o que provocou o incidente, classificado como "gravíssimo", mas não é possível ainda apontar uma provável causa.

Os passageiros relatam que a composição ficou parada por cerca de 30 minutos. Após esse tempo, o chamado botão "soco" para a abertura das portas foi acionado. Usuários desceram dos vagões, tomando conta dos trilhos. O Centro de Controle Operacional (CCO) cortou a energia elétrica, para evitar acidentes na linha. Por outro lado, provocou-se um efeito em cascata.

O trem 61, que vinha atrás, também ficou parado e os passageiros, trancados. Trata-se de uma das novas composições da Linha 3, que tem sistema de ar-condicionado e por isso não há janelas. Sem energia elétrica, o sistema desligou e cortou a ventilação dos usuários - que já vinham espremidos, por se tratar de um horário de pico.

Estima-se que a falta de circulação de ar nos vagões provocou desconforto. Por isso, os passageiros também acionaram o botão de emergência. Foi retirada então a energia elétrica de toda a linha e 17 trens ficaram parados.

As estações foram fechadas e uma nova leva de passageiros passou a caminhar ao lado dos trilhos - alguns por três quilômetros. Para saírem dos trens, pessoas quebraram portas e janelas. Todas as composições danificadas foram recolhidas para reparos, mas oito não ficaram prontas a tempo de retornarem à circulação no horário de pico. À tarde, o intervalo entre os trens chegou a 15 minutos, cinco vezes mais do que o normal.

O Metrô informou que cinco pessoas apresentaram leves escoriações e outras 26 precisaram ser atendidas pelos agentes da companhia ao passarem mal. Além disso, destacou que "não houve falha técnica de nenhuma natureza". A companhia insistiu que foi encontrada uma blusa no último vagão, mas não esclareceu por que a roupa que impedia o fechamento das portas não foi detectada ainda na estação. O Metrô classificou como "inusitado" o fato de os passageiros apertarem o botão soco e ignorou os questionamentos da reportagem a respeito da falta de ar nos novos trens./

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