Pane na PF acaba, mas confusão, não

Agendamento para emissão de passaportes voltou ao normal ontem à tarde; postos, porém, ainda tinham filas e faltava informação

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2010 | 00h00

Mesmo depois de ter oficialmente voltado ao normal desde as 11h20 de ontem, o sistema de emissão de passaportes da Polícia Federal (PF) ainda não funciona plenamente no País. O agendamento eletrônico foi reativado no fim da tarde, mas o atendimento nos postos continuava caótico. Na Superintendência Regional em São Paulo, informações desencontradas levaram muita gente a sair de lá sem o documento.

Segundo a PF em São Paulo, o sistema voltou ao ar aos poucos, com "algumas quedas pontuais" durante o dia, mas o atendimento foi mais ágil que no decorrer da semana. A previsão é de que hoje tudo esteja normalizado. As pessoas prejudicadas com a pane iniciada na segunda-feira devem ter prioridade no atendimento.

Sem emergência. A reportagem do Estado esteve na sede da PF em São Paulo, na Lapa, zona oeste, e encontrou a sala de espera dos passaportes lotada, com mais de 90 pessoas. Quem já tinha agendado o atendimento conseguia, com algumas horas de espera, dar entrada na papelada para receber o documento - a data mais próxima de recebimento era 8 de outubro.

Os que iam lá para retirar um documento supostamente pronto ou pedir um passaporte de emergência não tinham a mesma sorte. O consultor de investimentos Alexsander Alves Borges, de 28 anos, tenta desde segunda-feira um passaporte emergencial - que, a rigor, teria de sair em 24 horas. "Tenho todos os documentos que provam minha necessidade, pois viajo a trabalho no sábado. Mas me pedem para voltar outra hora. E isso já tem quatro dias", contou.

O gerente de projetos de internet Marcel Ariede, de 29 anos, resolveu tirar um novo passaporte por precaução, pois o seu atual só vence em fevereiro. Durante o trâmite, o atual foi cancelado e Marcel continua esperando por um novo às vésperas da viagem. "Era para sair hoje (ontem), mas não sabem quando vai ficar pronto. Me mandaram voltar mais tarde ou amanhã para ver se consigo", reclamou.

O mesmo fizeram com o barman Fábio Lima, de 22 anos, que mora em Amsterdã. Ele estava de férias no Rio quando foi assaltado. Veio tirar um passaporte novo em São Paulo porque a fila de espera era menor. "Agora me disseram que devo ficar vindo aqui todo dia para saber se está pronto. Imagina o que estou gastando com hotel e remarcação de passagem", disse. "Meu chefe nunca vai entender que não consigo voltar porque tudo é uma bagunça aqui no Brasil."

Uma reclamação constante era em relação à hostilidade do atendimento na sede da PF. "Não posso dizer nada. Se quiser esperar, espere, mas não tem previsão", foi a resposta que o fotógrafo Victor Affaro, de 29 anos, recebeu quando tentou buscar seu passaporte na manhã de ontem. "É de se revoltar. Você quer viajar e seu próprio País te trava. E eu nem deixei para última hora, desde agosto estou nessa enrolação." A PF não se pronuncia a respeito das reclamações.

Irregularidades. Desde março, o Ministério Público Federal vem investigando a morosidade na emissão de passaportes pela Polícia Federal em São Paulo. "Eles dizem que o problema é que o brasileiro está viajando muito", afirmou o procurador da República Jefferson Aparecido Dias, que prepara um relatório para apurar também porque o sistema de agendamento eletrônico (o oficial) demora tanto - enquanto o pedido feito via despachante pode acelerar o processo até para o dia seguinte.

Atrasos continuam

Até as 19 horas, dos 105 voos da Webjet, 50 foram cancelados e 14 atrasaram. A empresa afirma que a situação deve ser regularizada hoje, com 100% da tripulação trabalhando normalmente.

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