Pane impede recarga do bilhete único em SP

Sistema ficou fora do ar por três horas; segundo a SPTrans, ocorreram problemas após manutenção periódica realizada no fim de semana

BRUNO RIBEIRO , FELIPE TAU, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2011 | 03h05

O sistema de recarga do bilhete único ficou fora do ar por três horas em pleno horário de pico, na manhã de ontem. Quem tentou colocar créditos no cartão para aproveitar a gratuidade dos ônibus ou a integração entre ônibus e metrô na capital paulista não conseguiu. O bilhete é usado diariamente por 14 milhões de pessoas e o serviço só foi normalizado às 11h15.

Segundo a São Paulo Transporte (SPTrans), o sistema teve de ser reiniciado na madrugada de ontem. "Durante realização de manutenção periódica, na madrugada de sábado para domingo, um dos equipamentos que armazenam os dados da rede do bilhete único apresentou oscilação", diz a empresa, em nota oficial. Reiniciar o sistema foi a solução encontrada para por fim à oscilação, de acordo com a nota da Prefeitura.

Só com crédito. Apenas quem já tinha crédito no cartão conseguiu utilizá-lo no transporte público da cidade. Quem estava sem crédito, mas havia colocado no mínimo R$ 12 na última carga, pôde pagar a passagem de ônibus em dinheiro e validar o cartão nas catracas dos coletivos para integrações.

Não foi o caso da auxiliar de produção desempregada Daiane Martins, de 20 anos, pega de surpresa ao chegar, às 8 horas, na Estação Grajaú da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na Linha 9-Esmeralda. "Fiquei meia hora na bilheteria para comprar a passagem com dinheiro", disse. Daiane chegou quase uma hora atrasada em um compromisso que tinha na Praça da Sé, no centro.

A oscilação que causou a pane de ontem já fazia com que o sistema de recargas ficasse instável desde o sábado. O segurança Carlos Eduardo Correa, de 30 anos, por exemplo, não conseguiu fazer recarga na lotérica anteontem. "Atrapalhou muito. Acabei gastando mais com a condução (R$ 5,90 para pegar ônibus e Metrô, ante R$ 4,49 usando o bilhete)", disse.

Punição. De acordo com a SPTrans, a empresa responsável pelo armazenamento de dados, Diveo do Brasil, será multada - o valor será calculado com base na duração da pane e nas medidas de reparação tomadas. Ao todo, 600 mil pessoas fazem recarga no bilhete único diariamente. O último "apagão" no sistema aconteceu em outubro de 2009 e levou quatro dias para ser reparado - 1,6 milhão de recargas deixaram de ser realizadas. Parte das máquinas de autoatendimento não funcionou.

De acordo com o diretor de Fiscalização do Procon de São Paulo, Renan Ferraciolli, a SPTrans foi notificada a prestar esclarecimentos sobre a falha no sistema até a próxima sexta-feira. "Caso fique comprovado que a empresa prestou um serviço inadequado para o consumidor, ela poderá ser multada em até R$ 6 milhões."

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