Jose Patricio/AE
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Pane faz Polícia Federal cobrar RG de criança que tem passaporte com chip

Novo documento não traz filiação escrita; tecnologia para dificultar fraudes fica à mercê de sistema eficiente e boa vontade de agentes

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2011 | 00h00

Falhas de sistema e falta de clareza no atendimento da Polícia Federal têm feito pais terem problemas em aeroportos na hora de embarcar com os filhos para o exterior. Eles estão sendo obrigados a apresentar, além do passaporte, carteira de identidade ou certidão de nascimento das crianças. Mas a nova regra é desconhecida pela maioria dos passageiros.

Os novos passaportes com chip não trazem escrita a filiação. Nomes dos pais devem aparecer no computador do agente na hora em que ele consulta os dados do chip. O problema é quando o sistema falha e se tem de comprovar a paternidade.

"O que me deixou chateada é que a própria PF poderia pôr um aviso no passaporte, dizendo que é recomendável levar outro documento. Em nenhum lugar se diz isso", reclama a fonoaudióloga Luciana Santos, de 40 anos. No dia 17, minutos antes de embarcar para Lisboa com os dois filhos, de 5 e 6 anos, ela foi interpelada por um agente. "Ele me pediu outro documento de identificação das crianças além do passaporte", conta. Espantada, ela disse que não tinha. E teve de esperar mais do que o normal para poder embarcar.

Questionada pelo Estado, a PF recomendou que pais sempre levem, além do passaporte, o RG ou certidão de nascimento dos filhos.

O arquiteto Wilson Jiacomini, de 49 anos, também teve contratempo ao embarcar com os filhos para os Estados Unidos. "A funcionária da PF pediu a identidade para comprovar a filiação e disse que minha sorte era que o sistema estava no ar, senão não poderia viajar com as crianças", conta. "É uma situação que eles poderiam resolver emitindo o passaporte já com a filiação."

Criados para dificultar falsificações, os passaportes com chip começaram a ser emitidos em dezembro. Além de marca d"água e fundo invisível, trazem um componente eletrônico com informações do portador, incluindo nomes do pai e da mãe. Mas, no dia a dia, a tecnologia fica à mercê de um sistema eficiente e da boa vontade dos agentes.

A nutricionista Patrícia Belda, 48 anos, embarcaria ontem para a França com os filhos de 13 e 11 anos. Mesmo contrariada, levava os documentos dos adolescentes. "É para evitar problemas. Muitas vezes eles não querem se dar ao trabalho de consultar o computador ou estão sem acesso à rede. Já venho precavida."

Acompanhada do marido e dos dois filhos menores, a atriz Luciana Rigueira Vincent, de 33 anos, ficou surpresa ontem quando foi questionada, no check in de Cumbica, se contava também com outros documentos das crianças. Apenas o passaporte deveria ser suficiente. "A gente ainda nem tinha pensado nisso. Para mim, só o passaporte deveria ser suficiente. Agora é torcer para que nada dê errado."

A economista Raquel Tomasi, de 40 anos, tem duas filhas, de 9 e 6, e também ouviu a recomendação da PF. Mas não se incomodou. "Se isso for algo a mais para garantir a segurança das crianças, eu acho importante."

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