Pane atrasa 45% dos voos da Gol pelo País

Problema que ocorreu entre 9h40 e 11h provocou filas e reflexos durante todo o dia

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2012 | 03h03

Uma semana depois da pane na TAM, ontem foi a vez de o sistema de check-in da Gol cair em todo o País, provocando filas e atrasos nos aeroportos onde a empresa opera. O problema aconteceu às 9h40 e foi solucionado às 11h, mas os reflexos duraram o dia inteiro. Às 20h, a companhia tinha 307 voos atrasados - ou 45% do total -, segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Em seguida, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) notificou a Gol para que prestasse esclarecimentos sobre a falha.

Pela manhã, a situação era de filas quilométricas em aeroportos como Congonhas, Cumbica, Santos Dumont e Brasília. Em Curitiba, iam até a calçada. O check-in era feito manualmente pelos atendentes, assim como a etiquetagem das bagagens.

E ainda teve quem embarcou e não conseguiu viajar. A executiva de contas Flávia Cioni, de 40 anos, viajaria para Brasília às 11h, mas ficou dentro do avião até as 13h. Resolveu descer. "Deixaram desembarcar quem não tinha mala. Já perdi o compromisso mesmo, então não adiantava mais ir. Vou pedir o reembolso", disse.

O mesmo aconteceu com a professora Elma Zoboli, de 51 anos, que perdeu uma reunião do Conselho Federal de Medicina, em Brasília. "Sabe aqueles compromissos marcados há meses, com datas difíceis de conciliar com todo mundo? Vai gente de todo o Brasil", contou ela.

Já o advogado Luiz Otávio de Oliveira Rezende, de 38, embarcou às 10h20 em um voo que seguiria para Uberlândia. Como até as 13h o avião não havia decolado de Congonhas, resolveu descer. "Pior é que minha volta era hoje (ontem) às 15h20, pela TAM, e tive de pedir o reembolso na outra companhia também."

Utilizado pela TAM, o sistema Amadeus deu pane três vezes neste ano no Brasil. Diferente, o da Gol chama-se New Skies e é fornecido pela empresa Navitaire. No País, apenas a Azul usa o mesmo tipo. Fora do País, companhias como Air Canada e JetBlue são clientes.

A Gol ainda não identificou a causa da falha. Em nota, lamentou "o desconforto causado aos clientes". A empresa terá dez dias para comprovar à Anac a prestação de assistência aos passageiros afetados pelos atrasos e cancelamentos de voos. A multa prevista pela agência por voo afetado chega a R$ 1,7 milhão.

Viracopos. Depois de arcar com um prejuízo de R$ 3 milhões pelo fechamento, por 46h, da única pista do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, a Infraero quer acelerar a construção da segunda pista para antes de 2017. Também estuda comprar seu próprio recovery kit - conjunto de equipamentos que permite tirar uma aeronave quebrada da pista.

Na América Latina, só a TAM tem hoje esse kit, que custa entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões e é fabricado no exterior.

A empresa mantém os equipamentos em São Paulo e aluga para outras companhias. Foi o que fez com a americana Centurion, cujo avião bloqueou a pista de Viracopos.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai multar a Centurion em R$ 2,8 milhões. Para a Azul, que tem o aeroporto como hub , o prejuízo foi de R$ 20 milhões.

Já a segunda pista é uma exigência da presidente Dilma Rousseff (PT), mas há empecilhos ambientais e desapropriações ainda em andamento. A Concessionária Aeroportos Brasil é sócia da Infraero na operação de Viracopos - o aeroporto foi concedido no começo do ano.

Outros aeroportos importantes no Brasil têm apenas uma pista, como Porto Alegre, Confins (MG) e Manaus.

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