Pancadão universitário já irrita até o comércio - e os estudantes

Nem apreensão de carro para balada na Uninove; São Judas tem revolta de vizinhos e Mackenzie e FMU procuram a polícia

FABIANO NUNES , JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

18 Abril 2012 | 03h05

Os embalos de sexta-feira ao lado de universidades tiram o sono dos vizinhos e já irritam as instituições de ensino, o comércio das redondezas e até os alunos. Na sexta-feira, por exemplo, o pancadão da Uninove, na Barra Funda, zona oeste, começou às 20h30. Uma hora depois, até estudantes reclamavam. "Fica impossível escutar o professor. A gente chega a fechar a porta e a janela, mesmo assim, não abafa o som. Muitas vezes, a aula termina 45 minutos antes porque não dá para se concentrar", disse a estudante de Arquitetura Pâmela Chagas, de 21 anos.

O pancadão ao som de funk e forro universitário vindo dos alto-falantes dos carros virou tradição entre os alunos da Uninove, FMU, São Judas e Mackenzie. Com a presença da PM - que vai ao local após a reclamação dos moradores -, o som é desligado. Já houve apreensões de veículos e proprietário multado em mais de R$ 4 mil. Mas, quando a viatura vai embora, o barulho volta.

Os vizinhos da São Judas, na Mooca, zona leste, até fizeram um abaixo-assinado com 290 nomes contra o pancadão. "O ideal seria ter aqui na praça uma base fixa da PM para inibir o som alto", sugeriu a agente judiciária Katia Bolletta, de 40 anos, que mora em um prédio do lado da universidade.

Procuradas, as direções das duas faculdades não se manifestaram. Já a FMU disse que procurou órgãos públicos para combater a festa na Rua Taguá, na Liberdade, região central. O mesmo fez o Mackenzie, apesar de a Rua Maria Antônia ser um tradicional reduto boêmio estudantil.

Bares. Para o presidente da Comissão de Direito Urbanístico da OAB-SP, Marcelo Manhães de Almeida, bares onde acontece a concentração de alunos podem sofrer uma ação judicial por causa da perturbação. Para ele, a Prefeitura deve também responsabilizar esses estabelecimentos pelo barulho.

Mas até comerciantes reclamam dos pancadões, como já se ouve no caso da São Judas. "Pago para um músico tocar. O som alto atrapalha a apresentação e muitas vezes ele precisa interromper o show", reclamou Patrícia Schiemann, de 33 anos.

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