Palácio do Horto reúne porcelanas 'quatrocentonas'

Mostra tem cerca de 200 peças dos séculos 18, 19 e 20, entre elas, serviços de governadores, que fazem parte do acervo do Estado

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

 

Quando o poder e a riqueza põem a mesa, um símbolo historicamente presente é a porcelana. Peças dos séculos 18, 19 e 20 - muitas delas outrora pertencentes a importantes famílias quatrocentonas paulistanas - podem ser conferidas na exposição Rota da Porcelana nos Palácios do Governo de São Paulo, em cartaz no Palácio do Horto Florestal, na zona norte da capital.

Desde junho, o evento tem atraído cerca de 200 pessoas por semana à casa, que tem oito cômodos que funcionam como espaço museológico e, desde 2008, abrigam mostras temporárias. Podem ser apreciadas 200 peças de porcelana - o acervo do Estado tem 800 no total. "Trata-se de uma coleção importante dos pontos de vista histórico e artístico", diz a curadora da mostra, Ana Cristina Carvalho.

A maior parte do acervo foi formada pelo governo nos anos 1970, por meio de antiquários. Em 1975, foram adquiridas peças chinesas das Companhias das Índias e serviços europeus de jantar, chá e café. Louças com brasões e monogramas de famílias paulistanas e de titulares do Império foram compradas em 1977.

Alguns governadores também chegavam a encomendar "louças oficiais" para usar durante seus mandatos. Assim, estão expostas peças do governador Júlio Prestes, usadas no Palácio dos Campos Elísios - sede do governo entre 1911 e 1965; de Adhemar de Barros, Roberto de Abreu Sodré e Mário Covas - o último governador paulista a ter jogo próprio de louças. "A exposição, e a própria casa do Horto, cumprem a função de proporcionar ao visitante um olhar ao local e ao ambiente que sempre estiveram presentes no imaginário", diz Ana Cristina. "São peças carregadas de mitos, por causa da aura do poder. Dá uma ideia de que tipo de vida essas pessoas ilustres levavam", afirma.

Curiosidades. "Conseguimos reunir aqui uma das coleções de porcelanas mais importantes do Brasil, tanto pela história quanto pela arte decorativa", diz Luciano Cortabitart Ruas, coordenador de acervo do Palácio do Horto. Mas o visitante não encontra apenas pratos, xícaras e outros utensílios de cozinha. Há, por exemplo, dois aquários chineses do século 19, também de porcelana - os peixes eram observados por cima, como se estivessem em um tanque. Outros objetos curiosos são os covilhetes, utensílio utilizado como aparato para o barbear.

Dentre os monogramas, há peças que pertenceram a d. João VI, a d. Pedro II, à Marquesa de Santos e ao Visconde de Sarzedas, primeiro governador de São Paulo. Além de outros importantes figurões da sociedade paulistana, como Antonio da Silva Prado e Francisco Morato.

O PALÁCIO DO HORTO POR DENTRO

De arquitetura eclética, o Palácio do Horto Florestal foi erguido na década de 1930 para servir de casa ao administrador do parque. Em 1949, por meio de decreto, transformou-se em residência oficial de verão do governador do Estado. A decisão, do governo Adhemar de Barros, foi motivada pela localização privilegiada, no coração do Horto Florestal, e pelo clima ameno.

O Parque do Horto Florestal, na zona norte, ocupa uma área de 174 hectares ao pé da Serra da Cantareira e é administrado pelo governo do Estado.

 

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