Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE

Palácio da Guanabara ganha cor da 1ª República

Casa da Princesa Isabel, sede do governo do Rio poderá ser aberto para visitantes

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2011 | 00h00

Palácios normalmente estão ligados ao poder - e nenhum em todo o País já concentrou tanto poder quanto o Guanabara, atual sede do Governo do Estado do Rio. Casa da princesa Isabel e posteriormente de vários presidentes, incluindo Getúlio Vargas, seu restauro é uma das maiores obras em andamento hoje no Rio. O resultado é tão importante que faz a Casa Civil já avaliar a possibilidade de abrir o Guanabara para visitações públicas nos fins de semana.

Ao custo de R$ 16 milhões, a reforma do Palácio da Guanabara deve estar concluída no fim de agosto - depois de quase dois anos de trabalho. Ainda que continue cercado por tapumes e com mais de 150 operários espalhados por suas instalações, já é possível ver da rua o resultado mais impressionante da reforma. As cores cinza e branca deram lugar ao ocre.

A mudança ocorreu depois que um trabalho de prospecção da fachada encontrou o tom que predominava no palácio em 1908, quando ele passou pela primeira reforma total (foram cinco até hoje) - com a construção das duas rotundas laterais, alas anexas e a escadaria.

Mais do que recuperar fachadas e instalações, o trabalho de restauração também trouxe à tona pedaços da história do palácio. O piso dos corredores e da maior parte das salas do andar térreo voltará a ser constituído por ladrilho hidráulico. O que é encontrado quebrado acaba reconstituído em uma oficina montada ali mesmo no palácio. "Estava tudo coberto por dez centímetros de argamassa. Esses ladrilhos hidráulicos estão em muitas construções antigas. É bem artesanal", explicou o arquiteto Eduardo Valdetaro, responsável pela restauração.

Em pelo menos duas salas, conseguiu-se recuperar o piso original pé de moleque - dos tempos que a princesa Isabel e o Conde d"Eu moravam no palácio. O imóvel foi confiscado pela República e passou a ser reivindicado pela família real (em um processo judicial histórico).

No local, serão colocados vidros em cima do piso para que esse locais sejam transformados em centros de exposição. "Quando a gente assumiu o governo, o palácio tinha problemas graves. Principalmente no telhado. Toda vez que chovia mais forte ficava pingando no interior do palácio", explicou o secretário de Estado da Casa Civil, Régis Fichtner, responsável pela obra. "Além disso, retiramos aparelhos de ar-condicionado, que enfeavam a fachada. A fiação ficava exposta e agora será embutida."

Como sede administrativa do governo do Estado, o palácio é o local de onde o governador Sérgio Cabral (PMDB) despacha quando está no Rio. Além dele, secretários, assessores e centenas de funcionários trabalham ali. Os R$ 16 milhões usados nas obras são frutos de renúncias fiscais de duas empresas privadas, uma estatal e uma concessionária de serviço público.

Jardim e Netuno. Idealizado pelo paisagista Paulo Villon no início do século passado, o jardim do Palácio Guanabara também passou por reformas. Ao custo de R$ 255 mil, a estrutura e as esculturas que compõem o chafariz foram reformadas. A Estátua de Netuno, de bronze, teve de ser totalmente reconstruída depois que as estacas que a apoiavam romperam. Na ocasião, a obra de arte ficou destruída.

PONTOS-CHAVE

Construção

Situado na antiga Rua Guanabara, atual Rua Pinheiro Machado, a construção do Palácio da Guanabara teve início em 1853. Ele foi usado como residência particular até a década de 1860.

Palácio Isabel

Foi residência da Princesa Isabel e do Conde d"Eu (foto), ficando conhecido como Palácio Isabel. Em 1889, foi confiscado pelo governo militar, por ocasião da proclamação da República.

Estado Novo

Serviu de residência oficial de Getúlio Vargas (foto) no Estado Novo (1937 a 1945). Porém, deixou de ser a residência oficial quando essa função voltou para o Palácio do Catete.

Sede de governo

Em sua área, ficava o antigo Distrito Federal do País (até 1960). Depois da fusão dos governos do Rio e da Guanabara, em 1975, passou a ser a sede estadual.

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