Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

País volta ao circuito dos concursos de piano

Após cinco décadas, Rio recebe competição de alto nível com alunos das melhores escolas de música do mundo; vencedor vai receber R$ 200 mil

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 00h00

Por uma janelinha de vidro é possível ver os dedos ultravelozes da chinesa Wong Wai-Yin, de 17 anos, que toca uma peça de Chopin ao piano. A melodia se mistura ao som que sai de salas vizinhas da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde jovens brasileiros, americanos, russos e de mais oito nacionalidades fazem os últimos ensaios para participar de uma competição que recoloca o Brasil no circuito internacional de concursos musicais.

Com uma premiação de R$ 200 mil e um júri de renome mundial, o II Concurso Internacional de Piano começa hoje, no Rio, com uma dimensão que não é vista em eventos do gênero no País há mais de cinco décadas.

No último, em 1957, o pianista Nelson Freire, então com 12 anos, arrebatou o presidente Juscelino Kubitschek e ganhou uma bolsa para estudar em Viena.

Os 18 músicos que estão no Rio, com idades entre 17 e 30 anos, são alunos das melhores escolas de música e disputam um título que pode impulsionar suas carreiras. O benefício para o ensino de música no Brasil, no entanto, promete ser um dos maiores trunfos do evento.

Além da presença de grandes profissionais, 20 pianos foram comprados com a verba do patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) exclusivamente para os competidores. Após o concurso, serão doados a escolas cariocas para incentivar a formação de novos artistas.

"Hoje, os músicos brasileiros acreditam que precisam sair do País para desenvolver suas habilidades. Para mudar isso, é importante criar uma estrutura e colocar os brasileiros na companhia dos melhores do mundo", afirma o pianista britânico Leslie Howard, que presidirá o júri.

Apontado desde os 14 anos como um dos grandes talentos da nova geração nacional de músicos, o paulista Fabio Martino, hoje com 22, cursa mestrado na Alemanha e viajou ao Rio só para disputar o concurso. "Mesmo saindo do Brasil para estudar, continuo sendo brasileiro. Fiquei muito satisfeito com o evento porque não existe um concurso internacional desse porte no País", diz.

Os coordenadores do concurso, Lilian Barretto e Luiz Fernando Benedini, apostam no evento como um incentivo ao estudo do piano no Brasil. "Estamos proporcionando ao jovem pianista brasileiro um contato com a arte que é realizada no resto do mundo, com jurados de peso no cenário internacional e com instrumentos de qualidade", afirma Benedini.

A competição deste ano homenageia a pianista Guiomar Novaes. Durante o evento, será lançado um disco inédito com peças de Beethoven, Chopin, Debussy e Villa-Lobos, executadas pela artista na inauguração do Queen Elizabeth Hall, em Londres, em 1967.

Para jovens músicos, os concursos internacionais são uma oportunidade incomparável de exposição. Estudantes como Wong Wai-Yin viajam o mundo desde a pré-adolescência para disputá-los. "As competições para jovens não servem apenas para encontrar grandes talentos, mas para encorajar os músicos", explica Howard. "Nem sempre um artista que é brilhante aos 40 anos tinha uma habilidade excepcional aos 20."

Precoce:

WONG WAI-YIN ESTUDANTE

"Aos 2 anos eu já escalava o piano de cauda dos meus pais e comecei a ter aulas aos 3. Desde os 13 anos participo de competições internacionais."

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