País tem recorde de acidentes aéreos

Foram registrados 125 casos até sexta-feira; helicópteros, que são 10% da frota, já respondem por 18% das quedas em todo o Brasil

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2011 | 03h04

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) registrou 125 acidentes aéreos no País até o dia 30 - em todo o ano passado, foram 110. Trata-se de número recorde desde o início da série histórica, em 2001.

O recorde anterior havia sido em 2009, com 113 acidentes. Nos números atuais, não estão computados os dois acidentes do primeiro fim de semana de outubro, um deles no interior de São Paulo e o outro em Curitiba.

Os números também não levam em conta incidentes aeronáuticos, como pousos de emergência.

Acidentes com helicópteros crescem ano a ano. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recolhidos até o fim de julho, quando haviam sido registrados 89 dos 127 acidentes ocorridos até hoje, problemas com helicópteros representaram 18% do total - dos 89 acidentes computados, 16 haviam sido com helicópteros (que respondem por 10% da frota aérea, com 1.553 aparelhos registrados).

"Não apenas as companhias estão adquirindo mais aviões como o poder aquisitivo das pessoas cresceu e elas estão comprando mais aviões, jatinhos, helicópteros", afirma o engenheiro aeronáutico Nelson Taveira. "É como acontece com automóveis: o número de acidentes cresce à medida que a frota aumenta."

Motivos. Estudo realizado pelo Cenipa, levando em consideração todos os acidentes ocorridos entre 2001 e 2010, aponta que o julgamento de pilotagem lidera a lista dos fatores que mais contribuíram para a ocorrência dos desastres aéreos. Trata-se da inadequada avaliação, pelo piloto, de aspectos relacionados à operação da aeronave.

O Cenipa sempre alerta que um acidente acontece por uma soma de fatores. Em segundo lugar, a responsabilidade dos acidentes é atribuída à supervisão inadequada, pela gerência de não tripulantes, e em terceiro vem o planejamento do voo - seguido dos aspectos psicológicos.

Entre os 24 fatores listados como contribuintes, o controle do trafego aéreo aparece em último lugar, a manutenção das aeronaves vem em 7.º lugar, a instrução dos operadores da aeronave em 10.º e as condições meteorológicas adversas, em 11.º lugar.

Anac. Procurada, a Anac destacou que sua medição é diferente da feita pelo Cenipa e contabiliza a quantidade de acidentes no Brasil por milhão de voos e por combustível consumido. A medição por consumo das aeronaves indica que aumentou 20% - em relação a 2010 - o número de acidentes aéreos que resultaram em morte no País.

Até agosto de 2011, o índice foi de 0,39 acidente fatal por 100 mil m³ de combustível consumido. No mesmo mês do ano passado, esse índice era de 0,32. A meta da Anac é estabilizar em 0,33.

Quando a conta é feita por decolagens, porém, o Brasil melhorou entre 2008 e 2011: saiu de 1,76 acidente a cada milhão de voos para 0,54, o que se explica porque há cada vez mais aeronaves. De 2009 até hoje, a frota cresceu 10%. São 13.810 aviões certificados pela Anac.

Segundo o gerente-geral de Análise e Pesquisa de Segurança Operacional da agência, Ricardo Senra de Oliveira, "o Brasil apresenta um dos melhores índices de segurança do mundo" e está dentro da média considerada aceitável pela Organização da Aviação Civil Internacional (Icao) para a América do Sul, que é de um acidente a cada 1 milhão de decolagens.

Se comparado à média internacional estipulada pela mesma organização, porém, que é de 0,5 acidente por 1 milhão de voos, o País ainda está ligeiramente acima da média. / COLABOROU NATALY COSTA

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