País reduz em 39% emissões de gases de efeito estufa

Diminuição ocorreu de 2005 a 2010 por causa da queda do desmate da Amazônia; Brasil cumpriu 65% de sua meta voluntária definida para 2020

HERTON ESCOBAR , O Estado de S.Paulo

06 Junho 2013 | 02h04

As emissões brasileiras de gases do efeito estufa caíram 39% entre 2005 e 2010, graças à redução no desmatamento da Amazônia, segundo os dados do novo inventário nacional divulgado ontem em Brasília. Com isso, o País já cumpriu 65% de sua meta voluntária de redução de emissão de gases relacionados ao aquecimento global, estabelecida para 2020.

Em números absolutos, o Brasil emitiu 1,25 bilhão de toneladas de CO2 equivalente (medida que combina todos os gases em uma única conta) em 2010, comparado a 2,03 bilhões de toneladas em 2005, ano limite do inventário anterior.

Toda essa redução deve-se, essencialmente, ao combate do desmatamento na Amazônia, que nos mesmos cinco anos caiu 63%. Em todos os outros setores, as emissões do País cresceram: energia (21,4%), indústria (5,3%), agropecuária (5,2%) e tratamento de resíduos (16,4%). Excluindo as florestas da conta como um todo, as emissões do País no período aumentaram 12%.

"Os números marcam claramente uma mudança no perfil de emissões do Brasil, que passa a ter menos cara de país tropical e fica com mais cara de país industrializado", avaliou Guarany Osório, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas.

Segundo ele, a competitividade que o Brasil tinha de poder reduzir suas emissões simplesmente pela redução do desmatamento está próxima de acabar, o que exigirá mais investimento em ciência, tecnologia e parcerias com o setor privado para diminuir emissões também nas outras áreas.

O pesquisador Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), fez uma análise positiva dos números, ressaltando que o crescimento registrado nos setores de energia e agropecuária ficou abaixo do que era projetado para o período.

Segundo Nobre, a produção agrícola do País cresceu muito mais do que as emissões do setor, o que significa que, proporcionalmente, a "intensidade de carbono" da atividade diminuiu. Um ponto que merece atenção, segundo o engenheiro florestal Tasso Azevedo, consultor na área de clima e florestas, é o fato de o governo ter considerado na conta as emissões "líquidas" - descontando o dióxido de carbono que é absorvido naturalmente pelas florestas. "Sem isso, há uma diferença considerável: as emissões passam de 1,5 bilhão de toneladas (em vez de 1,25 bilhão)", calcula. / COLABOROU GIOVANA GIRARDI

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