Pais devolvem bebê roubado por filha adolescente

Após sofrer aborto, jovem se passou por estagiária de enfermagem e levou criança de [br]maternidade do Brás

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2010 | 00h00

Com o jaleco branco e fingindo ser estudante de enfermagem, uma adolescente de 15 anos entrou na Maternidade Leonor Mendes de Barros, na zona leste da capital paulista, raptou uma menina recém-nascida e a levou para a casa em uma bolsa. A família da jovem, no entanto, descobriu o crime. Em depoimento, ela disse não se conformar com a perda de seu bebê em um aborto espontâneo - o segundo desde o ano passado.

Ao chegar ao hospital, ela foi barrada duas vezes, mas continuou a circular pelos corredores. Depois de encontrar a criança em um quarto, pediu à mãe, a dona de casa Luana Aparecida Ferreira, de 26 anos, para que a levasse para fazer exames. Não voltou mais. Luana chegou a encontrar a jovem e perguntou sobre a filha. "Estou indo embora. Quem vai devolver é aquela moça loira", disse apontando para uma funcionária. Nesse momento, o bebê estava dentro da bolsa.

Desespero. Mãe de primeira viagem, Luana ficou cinco horas em agonia até que, por volta das 23h, veio o telefonema de alívio. "Achamos, achamos", dizia o irmão de Luana, que acompanhava as investigações policiais. "Agora não saio de perto dela", desabafa a mãe.

Segundo a família da adolescente, a gestação da jovem estava no quarto mês quando ela teve um sangramento ao tomar banho. "Ela não falou nada e agiu como se estivesse grávida para não desagradar ao marido", diz o delegado André Pimentel, do 81.º Distrito Policial (Belém).

O pai da adolescente, Carlos Alberto Marques Monteiro, de 51 anos, afirma que o sogro da filha ficou desconfiado da chegada do bebê, que ainda tinha em uma das pernas uma fita com o nome Luana. Toda a família foi à delegacia devolver a criança. A jovem escreveu um bilhete de desculpas para Luana. Disse ter ficado "desesperada."

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