Pais de jovem morto acreditam na destituição de promotor

Desde o crime, Schoedl ficou afastado das atividades da promotoria, mas continua a receber o salário

Camilla Rigi, do Estadão,

29 de agosto de 2007 | 14h56

Os pais do jovem Diego Mendes Modanez, morto em 2004 após um desentendimento com o promotor Thales Ferri Schoedl, acreditam na destituição do promotor do cargo, nesta quarta-feira. O Conselho Especial do Ministério Público Estadual (MPE) já está julgando se o promotor permanecerá no cargo até o seu julgamento final. Ele também é acusado de ter atirado contra Felipe Siqueira Cunha de Souza, de 21 anos, na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, em 30 de dezembro de 2004.   "Estou com confiança que hoje (quarta-feira) a gente expulsa ele definitivamente. Não agüento mais essa angústia, esse desespero. Espero que hoje (quarta-feira) não tenha mais uma palhaçada. Mas eu sinto no meu coração que tudo vai acabar", disse a mãe de Diego, Sonia Mendes Modanez.   Bastante otimista, o pai do jovem acredita que o promotor poderá ter um julgamento normal, assim que sair da função. "Ele saindo, vai pra júri popular e eu acredito que a verdade vai aparecer e vai provar que ele foi culpado", disse o pai do Diego, Fábio Modanez.   Uma falha na distribuição dos documentos para procuradores do Órgão Especial do Ministério Público Estadual adiou para esta quarta-feira o julgamento do afastamento definitivo da carreira de promotor público. No dia 15 de agosto, o procurador que presidiu a sessão José Roberto Garcia Duran justificou que a secretaria não repassou a pelo menos 20 dos 42 integrantes do órgão os documentos do processo. "É uma falha imperdoável", declarou.   O crime ocorreu na saída de uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral de São Paulo. Segundo o advogado da família das vítimas, Pedro Lazarini, o adiamento favoreceu a defesa do promotor, pois ele pode ser julgado em foro privilegiado por não ter perdido o cargo ainda.   "Eles sabem que lá (no Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo) a tese da legítima defesa será acolhida. Primeiro porque foi afastada a qualificadora (de motivo torpe) e também porque alguns desembargadores já se manifestaram favorável sobre essa tese", explicou Lazarini.   Ele já recebeu a intimação para as alegações finais do processo que corre na Justiça paralelo ao julgamento do MP. "Significa que já está no final e logo caminhará para o julgamento perante o plenário. Nós esperamos que isso não ocorra antes do dia 29. E que ele não seja vitaliciado, podendo assim ir ao tribunal do júri", disse o advogado.   Desde o crime, Schoedl ficou afastado das atividades da promotoria, mas continua a receber o salário de R$ 10.800. O promotor disparou 12 tiros contra Modanez e Souza. Em depoimento ele declarou que voltava para casa com a namorada Mariana Uzores Batoleti, então com 19 anos, quando um grupo de mais de dez rapazes passou a olhar para a moça. Schoedl afirmou ainda que agiu em legítima defesa.

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