Pais de adolescente morta no Hopi Hari depõem sobre perícia e foto

Casal quer saber por que primeiro exame foi feito em cadeira errada e quem colocou na internet imagens da filha após o acidente

Tatiana Fávaro, de O Estado de S.Paulo

30 Março 2012 | 03h08

CAMPINAS - Os pais de Gabriella Nichimura, adolescente de 14 anos que morreu após cair do brinquedo La Tour Eiffel, no parque Hopi Hari, em Vinhedo, no dia 24 de fevereiro, prestaram depoimento ontem à Corregedoria da Polícia Civil em Campinas e reafirmaram que a filha sentou em uma cadeira que deveria estar interditada. O assento periciado em uma primeira avaliação feita por profissionais do Instituto de Criminalística de Campinas não foi o mesmo usado pela garota.

O advogado de Silmara e Armando Nichimura, Ademar Gomes, disse que os pais pediram que a responsabilidade pelo equívoco na perícia seja investigada. Eles querem que a polícia identifique também os responsáveis pelo vazamento de imagens da menina morta na internet.

"Os pais ratificaram que a perícia foi feita na cadeira errada. Eles não sabem por que os peritos agiram dessa forma, se houve interesses escusos ou má-fé, se houve interveniência do parque. Tudo isso foi questionado", afirmou Gomes.

"Pedimos que o diretor do Instituto de Criminalística nos dê uma resposta. O delegado, assim que tomou conhecimento, determinou nova perícia", disse.

"Com relação às fotos, queremos saber se foram tiradas na ambulância, no hospital, no Instituto Médico-Legal."

Defesa do parque. O advogado do Hopi Hari, Alberto Toron, afirmou que o parque não teve nenhuma interferência sobre a maneira como a perícia foi realizada. "A perícia foi conduzida pelos depoimentos colhidos pela própria polícia, a partir de pessoas que estavam no parque e eram estranhas aos quadros do parque, portanto o parque não teve nenhuma interferência."

O delegado responsável pelo caso, Álvaro Santucci Noventa Júnior, disse ontem que também aguarda apuração sobre o vazamento das imagens. "Em relação à perícia, o advogado está no direito dele, mas considero prematuro falar em erro, porque sempre trabalhamos com muita vontade e cautela. E, em um primeiro momento, é muito difícil para a polícia saber 100% o que aconteceu. Ele está empenhado em mostrar uma coisa que, a meu ver, não tem cabimento", afirmou Noventa Júnior.

O delegado disse que ainda não recebeu o laudo da perícia e que o documento deve sair no início de abril. Noventa Júnior deve ouvir ainda mais três depoimentos, entre gerentes e direção do parque.

O Estado não localizou o diretor do Instituto de Criminalística de Campinas, Nelson Patrocínio da Silva, que conduziu as perícias no Hopi Hari. Ele disse anteriormente que só se pronunciaria após o laudo oficial.

O advogado dos pais de Gabriella Nichimura informou ainda que Silmara e Armando devem voltar ao Japão, onde moram, até o início da próxima semana.

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