País cumpre 2 das 8 Metas do Milênio

Brasil reduziu a mortalidade infantil em 67% desde 1990 e também os índices de pobreza; diminuição da morte materna não deve ser alcançada

LÍGIA FORMENTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2014 | 02h08

O Brasil atingiu a meta assumida no compromisso Objetivos de Desenvolvimento do Milênio de reduzir em dois terços os indicadores de mortalidade de crianças de até 5 anos. O índice, que era de 53,7 mortes por mil nascidos vivos em 1990, passou para 17,7 em 2011. Os números integram o 5.° Relatório Nacional de Acompanhamento, divulgado ontem em Brasília.

A meta foi atingida antes do prazo estipulado, 2015. A redução de morte materna, no entanto, não teve o mesmo sucesso. O documento admite que o Brasil dificilmente vai cumprir o compromisso de chegar em 2015 com no máximo 35 óbitos maternos a cada 100 mil nascimentos. Para isso, seria necessário praticamente reduzir pela metade os indicadores de 2011. Naquele ano, o número de mortes de mulheres durante a gravidez, o parto ou até 42 dias após o nascimento do bebê era de 63,9 a cada 100 mil nascidos.

Embora ainda muito superior ao compromisso assumido, os índices de mortalidade materna já foram significativamente maiores. Em 1990, eram 143 por 100 mil nascimentos. "Os números melhoraram. Mas há ainda muito a ser feito. Mortes no parto e por complicações dele são evitáveis", observou a representante da Rede Feminista de Saúde, Santinha Tavares.

Ela afirma que o combate ao problema é possível com a melhoria na qualidade da assistência, sobretudo durante o pré-natal. "De nada adianta a mulher fazer sete consultas durante a gestação se elas não forem de qualidade."

Santinha defende maior participação de profissionais enfermeiros especializados no parto. "Há uma resistência por parte dos médicos. Há uma luta de poder, e quem sai perdendo é a gestante." Outro ponto considerado fundamental por ela é a redução de cesáreas no País. "Elas aumentam o risco de infecção, tanto do bebê quanto da mãe."

Histórico. Os Objetivos do Milênio são metas estabelecidas em 2000 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e apoiadas por 192 países para serem alcançadas até 2015. Ao todo, são oito pontos: acabar com a fome e a miséria; universalização da educação primária; promoção da igualdade de gênero e autonomia das mulheres; reduzir a mortalidade na infância; reduzir a mortalidade materna; interromper a propagação e diminuir a incidência de HIV/aids, universalizar o tratamento da doença e reduzir a incidência de malária, tuberculose e outras doenças; qualidade de vida e respeito ao meio ambiente, incluindo reduzir pela metade a proporção da população sem acesso permanente e sustentável à água potável; e uma parceria mundial para o desenvolvimento.

Sucesso. Além dos indicadores de mortalidade de menores de 5 anos, o relatório também ressalta o alcance integral da meta de reduzir à metade o porcentual da população sem acesso a saneamento. A meta foi atingida em 2012.

O Brasil ainda atingiu a meta de redução da pobreza, mais ambiciosa do que a mundial. O compromisso era reduzir a pobreza extrema a um quarto do nível de 1990 a 2015. De acordo com o relatório, em 2012, esse nível era de menos de um sétimo de 1990. A presidente Dilma Rousseff comemorou o dado. "Entre os mais ricos do Brasil, a renda deles cresceu. Mas foi muito menos do que cresceu a renda dos mais pobres."

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