Painel de Di Cavalcanti vai ficar escondido

Única estrutura a resistir a incêndio no Teatro Cultura Artística, obra não será exposta ao público e deve ficar coberta durante reconstrução de prédio

FELIPE TAU , O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h04

Única estrutura a resistir à destruição do incêndio do Teatro Cultura Artística, em agosto de 2008, o painel de Di Cavalcanti teve sua restauração concluída, mas ainda não voltará a ser exposto para o público. O mosaico Alegoria das Artes, localizado ao lado da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, permanecerá escondido por uma superfície de policarbonato até que o prédio seja reerguido, o que ainda não tem dada para ocorrer.

A informação é da arquiteta Isabel Ruas Pereira, responsável pela equipe de restauro. Segundo ela, a superfície tem a função de proteger o mosaico de 384 metros quadrados das chuvas e de eventuais abalos causados pela futura construção. O projeto atual prevê um prédio de 8 andares e 12.360 metros quadrados, ao preço de R$ 82 milhões. A Prefeitura prometeu interligá-lo à Praça Roosevelt, que passa por reurbanização.

O painel do artista plástico brasileiro Emiliano Di Cavalcanti tem oito metros de altura e 48 metros de largura e foi inaugurado com o teatro no dia 8 de março de 1950. Sua recuperação custou R$ 1,7 milhão - segundo Isabel, o valor teria sido maior, dada a necessidade de tratar vigas de ferro enferrujadas da estrutura. A obra é tombada pelo Conselho de Preservação do Patrimônio no Estado de São Paulo (Condephaat).

Responsável pelo teatro, a Sociedade de Cultura Artística confirmou que o painel está pronto, mas não informou quando as obras de construção do edifício vão começar. Em julho, o presidente da instituição, Pedro Herz, havia condicionado o começo das obras a uma definição da Prefeitura sobre o projeto de integrar o teatro à Praça Roosevelt, ao lado.

Tragédia. O incêndio que destruiu o Teatro Cultura Artística ocorreu em 17 de agosto de 2008, um domingo. O fogo destruiu salas de apresentações e todo o acervo do teatro, como instrumentos musicais e equipamentos, além de figurinos e cenários de espetáculos que estavam em cartaz.

Na época, o teatro apresentava a peça O Bem Amado, estrelada por Marco Nanini.

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