Pai temia Gil Rugai, diz testemunha

No 2º dia de julgamento do duplo homicídio, instrutor de voo afirma que vítima decidiu trocar fechaduras de casa para afastar o filho

ADRIANA FERRAZ, BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 02h04

No segundo dia de julgamento de Gil Rugai, de 29 anos, acusado de ter matado o pai, Luiz Carlos, e a madrasta, Alessandra Troitino, a acusação trouxe dois depoimentos que apontaram o réu como responsável pelo crime. O primeiro foi do instrutor de voo de Luiz Carlos, Alberto Bazaia Neto, que disse ter ouvido da vítima que o filho era uma pessoa perigosa. O segundo foi do delegado Rodolpho Chiarelli, que foi enfático: "Toda a investigação só aponta para ele".

Bazaia contou que esteve com Luiz Carlos na semana do crime. Foram três encontros. O primeiro deles ocorreu supostamente na quarta-feira, dia 24 de março de 2004. Nesta ocasião, a vítima teria desabafado que havia sido roubada pelo filho. "Ele estava cabisbaixo, quieto e chegou a dizer: 'Filho é complicado'." Nessa mesma conversa, Luiz Carlos também teria dito que Gil havia confessado um desfalque na produtora de vídeo da família.

O roubo fez com que, segundo a testemunha, Luiz Carlos estipulasse um prazo para que Gil deixasse sua casa em Perdizes. Ele também teria decidido que trocaria as fechaduras da residência e exigido do filho um plano de pagamento para repor o dinheiro roubado. Questionado pelo promotor Rogério Zagallo se a vítima tinha medo do filho, Neto foi taxativo: "Ele disse que Gil era um menino perigoso", respondeu Bazaia.

Investigação. O delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) Rodolpho Chiarelli, responsável pela investigação que terminou com o indiciamento de Gil Rugai, afirmou não ter nenhuma dúvida de que o rapaz matou o pai e a madrasta. O motivo, segundo o delegado, seria a descoberta do desfalque.

O delegado disse que chegou à autoria do crime depois de colher mais de uma centena de depoimentos que indicam apenas Gil como interessado na morte do casal. Em um deles, prestado pelo então sócio do estudante, há o relato de que o acusado tinha uma arma de modelo igual à usada para assassinar Luiz Carlos e Alessandra. A pistola semiautomática de calibre 380 teria sido vista no escritório que os dois dividiam, nos Jardins, zona sul da capital.

O delegado também citou provas técnicas, como a compatibilidade dos estojos de bala encontrados sob a cama do acusado com a arma do crime e também o fato de que o réu comprou um coldre - cinto usado para prender armas de fogo na cintura. O tipo do coldre seria compatível ao modelo da arma.

Julgamento. O segundo dia de júri terminou às 21h25 de ontem, após quase 12 horas, com o testemunho de um perito consultado pela defesa, Alberi Espíndula, que pouco acrescentou ao caso. Hoje, os trabalhos estão marcados para começar às 9h30.

Outras oito testemunhas de defesa estão arroladas no processo e deverão ser ouvidas até sexta-feira. A previsão é que a sentença seja dada até o fim desta semana.

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