Reprodução/Facebook
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Pai é suspeito de matar a filha na frente dos netos na zona sul de SP

Maira Cintra Soares, de 40 anos, foi assassinada com dois tiros no rosto na noite desta sexta-feira, 10

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2017 | 12h22
Atualizado 11 Fevereiro 2017 | 16h07

SÃO PAULO - Uma vizinha resolveu filmar a briga entre pai e filha. “Ele não tem coração. Se ele tivesse coração, ele não fazia o que faz comigo e com o Luciano”, diz a diarista Maira Cintra Soares, de 40 anos, no vídeo. O ex-cabo da Aeronáutica Frederico Carneiro Soares responde: “Aqui se faz, aqui se paga”. A filha retruca. “Exatamente. Deus está vendo tudo isso, pode ficar tranquilo.” O pai, então, pede licença para passar e o que se ouve depois é o barulho de dois disparos de arma de fogo. Atingida no rosto, Maira morreu na hora.

O caso aconteceu por volta das 20h30 desta sexta-feira, 10, na Rua Olímpio Rodrigues, região da Vila Sônia, na zona sul da capital paulista. Segundo testemunhas, Soares foi até a casa da filha e iniciou uma discussão. O assassinato aconteceu na presença de três netos: um menino de 3 anos, uma menina de 7 e outro garoto de 9. “Meu avô chegou a discutir com ela, como sempre fez. Ele sempre chegava gritando”, diz Isabella Cintra, de 20 anos, a filha mais velha de Maira, que estava na Igreja no momento do crime.

“Meus irmãos não estavam perto da minha mãe na hora da discussão, mas quando eles ouviram o tiro dentro de casa, saíram correndo e viram o que aconteceu”, diz Isabella. “Meu avô estava com a namorada dele, saiu de carro e foi embora.” O socorro médico chegou a ser acionado, mas Maira morreu no local. Soares está foragido e a Polícia Civil ainda tenta localizá-lo para fazer a prisão em flagrante. 

O crime foi registrado no 89º Distrito Policial (Portal do Morumbi), como homicídio qualificado. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que a polícia vai solicitar à Justiça um mandado de prisão temporária contra Soares, após terminar de colher depoimentos de testemunhas.

Herança. Suspeito e vítima travavam uma disputa judicial pela herança da casa e tinham histórico de conflito. “Ele nunca cuidou da minha mãe e do meu tio. Foi sempre xingando e torturando”, afirma Isabella. “Ele sempre teve muita raiva, sempre fui muito estranho com todo mundo.”

Em agosto de 2016, Maira divulgou um vídeo no Facebook em que relatou a relação conturbada com o pai. A ex-mulher de Soares morreu afogada quando a diarista ainda era criança. “Foi muito traumático. Eu tinha 8 anos; meu irmão (Luciano), sete. Nós passamos a viver uma vida horrível, muito triste”, relata no vídeo.

Segundo afirma na gravação, Soares já namorava outra mulher na época do acidente, mas o divórcio com a mãe dela ainda não tinha um desfecho judicial. Por isso, foi considerado viúvo. Após o acidente, os dois irmãos teriam sido privados de conviver com a família materna. “Ele ficou com a minha pensão e a do meu irmão”, diz.

A casa pertencia à mãe e também passou a ser alvo de disputa da família. “Ele (o pai) fez várias tentativas de tirar a gente, colocando a segurança e falando que a gente era indigente”, afirma Maira, no vídeo. 

Era nessa residência que ela morava com três dos quatro filhos e também cuidava de Luciano, que tem esquizofrenia. Segundo a diarista, o irmão ficou doente após ser internado em um hospital psiquiátrico e se submeter a uma rotina de medicamentos. “Nós sofremos muito na mão de uma pessoa que deveria nos amar, mas que não estava interessada em cuidar dos filhos.”

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