Pai é morto ao buscar filho em Cumbica

Motorista errou o caminho do aeroporto onde filho de 8 anos chegaria da Bahia e acabou sendo alvo de assaltantes em via de Guarulhos

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2013 | 02h01

O motorista José Faustino Neto, de 40 anos, foi assassinado anteontem durante um assalto na Estrada Água Chata, na Vila Dinamarca, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Ele estava acompanhado da irmã e da mãe e buscava o filho, de 8 anos, que desembarcou da Bahia no Aeroporto de Cumbica. Os ladrões permaneciam foragidos até ontem.

O crime aconteceu por volta das 18h. Segundo a polícia, a família estava em um Ford Fiesta preto, trafegava pela Rodovia Presidente Dutra, e se perdeu ao errar a saída para a Rodovia Helio Smidt, que leva até o aeroporto. Ao tentar retornar ao caminho correto, pelo trevo do bairro de Bonsucesso, eles pararam em um semáforo na Estrada da Água Chata e foram abordados por dois homens armados.

Os ladrões anunciaram o assalto e obrigaram Faustino Neto, a irmã dele, uma dona de casa, de 35 anos, e a mãe, uma zeladora, de 66, a saírem do carro. Eles deixaram o veículo e se afastaram, sem esboçar qualquer reação.

Mesmo assim, um dos ladrões atirou contra o motorista, que foi baleado com um tiro nas costas. A dupla fugiu levando o carro e os documentos das vítimas.

Um homem que vinha logo atrás, em outro carro, levou o motorista ainda com vida ao Hospital Maria Dirce, onde ele morreu. A irmã e a mãe dele não ficaram feridas.

Revolta. A família de Faustino, que se preparava para comemorar a chegada do ano-novo, está revoltada. "A gente sempre vê na televisão, até que acontece com alguém da nossa família. Quer roubar, rouba. Mas não precisa matar a pessoa. Ele estava de costas, não tinha motivo para fazerem isso", afirmou o aeroportuário Fernando Faustino, de 46 anos, irmão do motorista.

Segundo Fernando, um dos ladrões instigou o outro a disparar contra o seu irmão. "A minha irmã disse que o mais branquinho falou para o outro, que era moreno, 'atira, atira logo'. Daí, ele atirou. Uma covardia", disse. "Ele caiu praticamente no colo da minha mãe, que está muito abalada, chorando o tempo todo", completou.

Segundo Fernando, seu irmão jamais reagiria a um assalto. "Ele era um molecão, apesar de ter 40 anos. Não gostava de briga, nada disso", afirmou.

Até o início da tarde de ontem, o filho do motorista ainda não havia sido informado da morte do pai. Colegas da família foram buscá-lo no aeroporto, depois que foram informados do assassinato de Faustino Neto.

O menino vive com a mãe na Bahia desde a separação do casal e, segundo familiares, estava ansioso para reencontrar Faustino Neto. Assim que soube da morte do ex, a mãe do garoto também viajou para São Paulo.

A família de Dinho, como Faustino Neto era chamado, vive no bairro do Jabaquara, na zona sul de São Paulo. Ele era o segundo de três irmãos. Segundo Fernando, o motorista estava afastado do serviço por causa de uma bursite (dor nas articulações).

O corpo do motorista foi enterrado na tarde de ontem no Cemitério da Vila Rio, em Guarulhos.

Investigação. O caso foi registrado como latrocínio (roubo seguido de morte) no 4º Distrito Policial de Guarulhos. Até as 17h de ontem, a equipe de plantão não tinha pistas que levassem até os assaltantes. Testemunhas ainda serão ouvidas pela polícia no decorrer da semana. Se necessário, será solicitada a ajuda do Setor de Homicídios da Delegacia Seccional de Guarulhos.

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