Pai e madrasta são acusados de matar menina

Segundo a polícia, eles ainda jogaram a criança de 2 anos em um bueiro e depois fingiram que ela havia sido sequestrada

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2011 | 03h05

Um pai e uma madrasta da zona leste são acusados de matar uma menina de 2 anos, esconder o corpo da criança em um bueiro do Jardim Iva e ainda forjar um sequestro para tentarem se livrar da acusação de assassinato.

Segundo a polícia, os crimes aconteceram na madrugada de sábado para domingo. O técnico em eletrônica Edson da Silva dos Santos, de 30 anos, e a dona de casa Kelly Cristina dos Santos Brito, de 22, foram indiciados por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsa comunicação de crime.

Cauane Borges da Silva vivia desde 12 de outubro com o pai, Edson, no Jardim da Conquista, também na zona leste. Policiais contaram que ela foi para lá a pedido da avó materna e era criada com os dois filhos de Edson e Kelly, um menino de 2 anos e uma menina de 6 meses.

Em depoimento, o pai disse à polícia que na quinta-feira Cauane sofreu uma queda e começou a passar mal. Ele disse que não a levou a um hospital por temer acusação de maus-tratos. Informalmente, teria afirmado a policiais militares que passou dos limites e agrediu a filha. O motivo seria o fato de a menina não estar acostumada a usar penico. O estado da criança piorou e, sem atendimento, ela morreu na manhã de sábado. O corpo ficou na casa durante o dia. À noite, Edson saiu com a mulher e os filhos à procura de um lugar para deixar Cauane. Decidiu então abandoná-la em um bueiro.

Na manhã de domingo, Edson chamou a polícia e disse que tinha sofrido um assalto e Cauane havia sido levada por dois bandidos com seu carro. A PM encontrou o Fusca, ano 1971, do técnico em eletrônica. Descobriu também que quem abandonou o veículo havia sido o próprio Edson horas antes, segundo uma testemunha. Confrontado, ele confessou que não houve sequestro e levou os policiais até o bueiro onde tinha abandonado a filha.

Sujeira. Oficialmente, negou ter agredido Cauane, mas admitiu que dava chineladas na menina. A madrasta disse apenas que acompanhou o marido. Na casa onde eles viviam, a polícia encontrou muita sujeira. "É um local subumano. Havia excrementos de rato no fogão", disse o delegado Arli Antonio Reginaldo, do 69.º DP (Cohab Teotônio Vilela). Ele diz que a criança parecia "um estorvo para os familiares".

Os filhos do casal estão sob cuidados do conselho tutelar. O corpo de Cauane será enterrado hoje no Cemitério de Vila Formosa. Procurada, a mãe da menina não se manifestou até as 20 horas de ontem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.