Pai e madrasta de Isabella se apresentam à polícia, diz PM

O casal passou a figurar como suspeito de assassinar a garota depois de ter sua prisão preventiva decretada

da Redação - estadao.com.br,

03 de abril de 2008 | 17h08

A Polícia Militar confirmou no final da tarde desta quinta-feira feira, 3, que o consultor jurídico Alexandre Nardoni, pai da garota Isabella de Oliveira Nardoni, e sua mulher, a estudante de direito Anna Carolina Trotta Jatobá, de 24 anos, se apresentaram à Justiça, no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo. O casal passou a figurar como suspeitos de assassinar a garota depois de a Justiça decretar, na quarta-feira, a prisão temporária de ambos, com o intuito de preservar provas sobre o assassinato da menina.     VEJA TAMBÉM Advogados negociaram entrega de casal, diz delegado "Só quero que seja feita justiça", diz mãe de Isabella   O casal deixou o Fórum de Santana e foi para o 9º DP, sob forte escolta policial e escolta da PM. Vão ser entregues às Polícia Civil e depois serão levados ao Instituto Médico Legal (IML), onde deve ser efetuado o exame de corpo de delito de praxe para presos. A expectativa inicial da polícia era de que o casal se apresentasse até o final desta quinta-feira (veja o que se sabe até agora).   Na quarta-feira, 2, a Justiça decretou a prisão temporária do casal.  A prisão temporária foi decretada para que o casal não prejudicasse as investigações, que prosseguem tanto na área da polícia científica quanto na busca de novas pistas no prédio, onde ocorreu a morte da menina.   Na manhã de quarta, a mãe de Isabella, Ana Carolina Cunha de Oliveira, prestou depoimento de 2h15 no 9º Distrito Policial, no Carandiru. Após o depoimento da mãe e dos avós maternos de Isabella, o juiz Mauricio Fossen, do 2º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça de São Paulo, decretou o pedido de prisão preventiva do casal. O juiz decretou também sigilo absoluto do caso.   Depoimentos   Durante toda a tarde de quarta-feira, o delegado Calixto Calil Filho esteve reunido com o promotor Sérgio de Assis. O delegado levou ao promotor cópias de depoimentos, como a do morador do 1º andar do edifício onde morreu Isabella, que disse ter ouvido gritos, pouco antes da queda. Segundo ele, os gritos eram: "Pára, pai! Pára, pai!" Também foram levadas cópias dos depoimentos de moradores do Edifício Vila Real, na Vila Mazzei, onde Alexandre morou por dois anos e meio. Ela disse que as brigas de ambos preocupavam o condomínio. O delegado ainda trouxe o depoimento de um funcionário e de dois moradores do Edifício Santa Leocádia, que fica na frente do local da morte. O morador do 4º andar desse prédio afirmou que ouviu o casal discutindo dez minutos antes da tragédia. "Da janela do meu quarto, pude ouvir com minha esposa (...) uma discussão, uma briga no prédio ao lado. Após 15 minutos, a discussão cessou. Às 23h23, ouvi uma mulher gritando: ?jogaram a Isabella do 6º andar?. Em seguida, ouvi xingamentos. A voz da mulher era igual à da mulher que brigava (anteriormente)." A mãe da menina, a bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, de 23 anos, falou pela primeira vez à polícia. "Não tenho nada a declarar, que a Justiça seja feita agora", disse, na saída. De acordo com a polícia, a mãe da criança afirmou que a relação dela com o casal suspeito era, às vezes, áspera. Segundo a bancária, nos fins de semana em que Isabella ficava na casa de Alexandre, a madrasta não a deixava falar com a mãe. Também prestaram depoimento os avós maternos da garota, José Arcanjo e Rosa Maria de Oliveira. Um dos advogados da defesa trouxe ainda uma testemunha que era considerada chave pela defesa. A mulher, que não teve a identidade revelada, entrou escondida debaixo do paletó do advogado. Aos investigadores, ela teria dito que a madrasta perdeu as chaves do apartamento após deixá-las na portaria do prédio. A versão, no entanto, foi contestada, em depoimento, pelo porteiro Valdomiro da Silva Veloso, de 28 anos. Segundo ele, ficavam na guarita apenas as chaves dos apartamentos que estão passando por obras. A delegada titular da 4ª Delegacia Seccional Norte, Elisabete Sato, disse que há conflitos entre os depoimentos já colhidos pela polícia. E, por isso, é necessário ter calma. "Além dos depoimentos, vamos contar com a coleta das provas materiais." Investigadores do 39º DP (Vila Gustavo) acharam nos arquivos um boletim de ocorrência, de 2003, em que Anna Carolina acusa Alexandre de tentativa de agressão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.