Pai de vítima vai cobrar transparência na apuração do acidente

Médico Luiz Carlos Sell se mostra indignado durante enterro da filha, Mariana Suzuki Sell

24 de julho de 2007 | 19h24

Cerca de 100 pessoas estiveram nesta terça-feira, 24, no enterro da advogada Mariana Suzuki Sell, de 30 anos, morta na queda do vôo 3054 da TAM, no cemitério Parque da Colina, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. Especialista em direito ambiental, ela voltava de um entrevista de emprego em Porto Alegre. Abalado, o pai de Mariana, o médico pneumologista Luiz Carlos Sell, anunciou no velório que pretende se unir a outros familiares para cobrar transparência na apuração do acidente e providências do governo federal para o caos aéreo. "O que aconteceu foi um desperdício, acima de tudo. Com a minha filha e com as outras pessoas que estavam na aeronave. É uma pena que o investimento em uma criatura com o alcance que ela tinha foi transformado num pedaço de carvão. Isso que me foi entregue: um pedaço de carvão, identificado entre outros pedaços de carvão", disse Sell, que não descartou uma ação contra a União. O médico, que se referia a queda do avião como "o crime", criticou o que classificou de "manifestações bufas" de integrantes do governo federal que, segundo ele, passaram a sensação de "imprevidência, escárnio e incompetência para todo o País". Sell disse que as famílias trocam informações pela internet e articulam um encontro com as vítimas do acidente da Gol, ocorrido em setembro do ano passado no Mato Grosso, e com familiares dos mortos na queda do Fokker 100 da TAM, em 1996, também no Aeroporto de Congonhas. A advogada Julianna Boticelli Ramos, que identificou os restos mortais da prima Mariana na madrugada de segunda-feira, descreveu o IML paulistano como um "pesadelo surreal" e contou que a identificação foi possível por causa de um relógio que a vítima usava e da comparação de arcada dentária e ossos. "Aquilo (o IML) é uma bagunça, uma tortura. Eles trabalham com uma equipe reduzida e ainda usam máquinas de escrever. Sabia que a identificação de Mariana estava próxima, pois as pessoas sentadas em assentos próximos ao dela estavam sendo identificadas. Porém, a falta de informações foi total", declarou Julianna. Os amigos que acompanharam o sepultamento descreveram Mariana como uma defensora do acesso à água como um direito da humanidade. Após um mestrado de quatro anos no Japão, ela optou por voltar ao Brasil, onde era diretora da Rede Brasileira de Capacitação em Recursos Hídricos, para militar pela causa. Após o sepultamento, a cientista política Juana Lucini, de 28 anos, colocou na sepultura um colar comprado junto com Mariana na época em que as duas fizeram mestrado no Japão. "Foi um última homenagem. Ela era especial", disse Juana.

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