Pai de Liana Friedenbach critica tratamento dado a Champinha

Ari Friedenbach, pai de Liana, critica o tratamento dado ao Champinha na unidade de saúde da Fundação Casa

08 de janeiro de 2008 | 21h28

Ari Friedenbach, advogado e pai da jovem Liana Friedenbach, divulgou uma carta a imprensa criticando o tratamento dado a Roberto A.A.C, o Champinha, durante sua internação na unidade de saúde Vila Maria da Fundação Casa, zona norte da capital. Segundo Friedenbach, Champinha cumpre seu tratamento psiquiátrico "numa unidade cinco estrelas". De acordo com o advogado, Champinha está internado sozinho, sem qualquer acompanhamento ou responsabilidade. Em novembro de 2003, Champinha, na época com 16 anos, e Paulo César Marques, o Pernambuco, mataram o casal Liana Friedenbach, de 16 anos, e Felippe Caffé, de 19, em Embu-Guaçu. Por ser menor de idade, Champinha foi para a Febem (atual Fundação Casa). Durante sua internação na Fundação Casa, fugiu em 2 de maio de 2007, pulando um muro de 6 metros de altura. Recapturado, foi levado para a unidade experimental de saúde da Vila Maria.  Champinha já cumpriu a pena prevista em lei, mas vive num limbo jurídico. Apesar da maioridade, não pode ser preso em uma penitenciária para criminosos comuns, já que era Meno quando cometeu o crime. Com a pena cumprida, poderia deixar a instituição para menores, mas é mantido lá por pedido do Ministério Público, baseado em laudos médicos que constataram que ele sofre de problemas mentais e não pode voltar a viver em sociedade.  Leia a íntegra da carta: Minha indignação "Meu nome é Ari Friedenbach, sou advogado e pai da jovem Liana Friedenbach, assassinada em novembro de 2003, aos dezesseis anos de idade. A Liana, juntamente com seu namorado Felipe, foram seqüestrados por uma quadrilha constituída de 4 indivíduos maiores de idade e um menor de idade a época do crime, Roberto A.A.C., vulgo "champinha" (tendo o Felipe sido assassinado no mesmo dia). Os maiores de idade envolvidos nos crimes foram condenados a penas severas, e se encontram cumprindo suas penas em penitenciárias do Estado. No caso de Roberto A.A.C., vulgo "champinha", a situação é distinta, pois, de acordo com a Legislação Brasileira aplicável, qual seja o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o seqüestro, tortura, reiterados estupros e homicídio, não constituem nenhum crime!!! Apenas Ato-Infracional de natureza grave!!! Atos estes, puníveis com internação para tratamento e medidas de sócio-educativas, por até, no máximo três anos de internação, ou até que complete 21 anos de idade, quando deverá obrigatoriamente ser colocado em liberdade. Importante que fique claro que o indivíduo Roberto A.A.C., vulgo "champinha", nada mais deve à justiça ou à sociedade, eis que já cumpriu todos os prazos de internação, previstos pelas leis. No entanto, chegado o momento de colocar Roberto A.A.C., vulgo "champinha" em liberdade, diante dos laudos psiquiátricos que apresentam relatórios que constatam doença de ordem neurológica de natureza grave e incurável, determinou o judiciário que fosse encaminhado para Unidade de Saúde, na qual seja possível efetuar tratamento que amenize sua patologia, sendo necessário que a unidade apresente condições de segurança, para impossibilitar nova fuga do interno. No último dia 14/12/2007, vieram a público, cenas apresentadas pelo Departamento de Jornalismo da Rede Bandeirantes, cenas do que o Estado decidiu por chamar de Unidade de Saúde, onde encontra-se Roberto A.A.C., vulgo "champinha" em tratamento. A referida unidade constitui-se de 5 casas, cada uma com: 1 quarto com 4 camas de madeira, com cabeceira e criado-mudo também em madeira, sala de jantar com mesa e 8 cadeiras, sala de estar com sofás em couro bege, aparelho de televisão de 29 polegadas; cozinha com pia de aço inox, fogão e geladeira Brastemp (marca mais cara do mercado); área de serviço com maquina de lavar (!!!) também Brastemp; banheiros com pias de granito bege. TUDO RECÉM TIRADO DAS EMBALAGENS!!!  A referida unidade que passou da FEBEM para Secretária de Saúde do Estado, sob o comando do Secretário Dr. Luiz Roberto Barradas Barata, médico de formação, a um custo declarado de R$12.000,00 (Doze Mil Reais) por mês, em uma unidade projetada, digo mal projetada, para abrigar no mínimo 20 internos, sendo que de acordo com a ex-FEBEM, atual Fundação CASA, pelo menos 61 internos tem as mesmas necessidades do interno Roberto A.A.C., vulgo "champinha", que, no entanto reside numa unidade 5 estrelas, ao custo referido, absolutamente sozinho, sem qualquer acompanhamento, tratamento, ocupação ou responsabilidade. Ainda que eu não tenha a formação médica, como é o caso do Sr. Secretário da Saúde, Dr. Barradas Barata, acredito que terapias ocupacionais seriam mais indicadas, do que o ócio a que está submetido o interno. Não é admissível que, qualquer pessoa, seja cidadão de bem, criminoso, doente mental, ou seja, lá o que for, possa acordar a hora que quiser, fazer o que quiser, inclusive passando o dia inteiro, deitado num sofá de couro assistindo televisão, tudo as custas do contribuinte, cidadão de bem, pagador de seus impostos e cumpridor de suas obrigações. A chamada Unidade de Saúde, não seria mais eficiente, se ao invés de possuir uma quadra poli esportiva coberta, fosse equipada com uma horta, onde os internos houvessem de cuidar da produção de seus próprios alimentos??? Após a divulgação das referidas imagens pela Rede Bandeirantes, as reações foram as mais surpreendentes. As autoridades, como se o que estava sendo apresentado no vídeo fosse a coisa mais natural e óbvia, não se abalaram. Declarou o governador José Serra: "Não vejo problema de ele estar assistindo televisão!!!". Já o Secretário da Saúde, parece ter enfiado a cabeça num buraco, preferindo o silêncio. Outra reação inusitada foi o profundo silêncio dos órgãos de imprensa, eis que somente uma rede de televisão viu nos fatos narrados, alguma notícia a ser divulgada. Será que a má aplicação dos já escassos recursos destinados à saúde não devem ser divulgados e combatidos??? Restou à população, que paga essa conta, ficar indignada, sem ao menos ouvir, sequer uma explicação aceitável das autoridades incompetentes. Em um país que seguramente 99% da população, vive em condições muito inferiores às constatadas nas imagens apresentadas, resta a pergunta: Não estaríamos incentivando os jovens a cometer crimes como o praticado por Roberto A.A.C., vulgo "champinha", recebendo como punição e tratamento, um salvo conduto para uma estadia em um Spa 5 estrelas??? Para finalizar, quero deixar claro de que, ainda que minha vivência permitisse, não somos favoráveis a aplicação de quaisquer tratamentos que não preservem a dignidade do interno, ainda que, no caso presente, trata-se de um perigoso reincidente, conforme vem sendo noticiado nos últimos dias, apenas pretendemos que sejam submetidos a tratamento adequado e compatível com as leis, a realidade do país e das instituições."

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