Pai de Joanna é preso por homicídio e tortura

Além dele, a madrasta da menina, que morreu aos 5 anos, também foi denunciada pelos crimes, mas responderá ao processo em liberdade

Talita Figueiredo / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2010 | 00h00

André Rodrigues Marins, pai da menina Joanna Cardoso Marins, morta há dois meses, aos 5 anos, foi preso ontem à noite por determinação do juiz do 3.º Tribunal do Júri do Rio, Guilherme Schilling. À tarde, ele e a madrasta da garota, Vanessa Maia Furtado, haviam sido denunciados pelo Ministério Público Estadual por tortura e homicídio qualificado (por meio cruel).

Os promotores Ana Lúcia Melo e Alexandre Murilo da Graça também pediram à Justiça a prisão preventiva da madrasta, mas o juiz não concedeu. O casal sempre negou as acusações de maus-tratos e afirma que os hematomas da menina são decorrentes de crises de convulsão.

Joanna morreu por causa de meningite viral, mas, segundo laudo da polícia, ela tinha sinais de maus-tratos. A menina, que teria sido deixada durante dias no chão, suja de fezes e urina, foi, ainda segundo a denúncia, queimada nas nádegas, na região clavicular direita e apresentava hematomas pelo corpo e na face.

De acordo com a denúncia, "Vanessa teve uma atuação tão grave quanto a de André Marins, tanto na prática da tortura quanto na omissão de socorro". Os promotores dizem ainda que "o tratamento desumano e degradante deixou lesões físicas e psíquicas na menor, que colaboraram para baixar sua imunidade".

Segundo os promotores, Joanna só foi levada ao hospital quando seu estado era crítico e, para agravar a situação, foi atendida no Hospital Rio Mar, no Recreio dos Bandeirantes (zona oeste do Rio), pelo falso médico Alex Sandro da Cunha Souza, que a liberou. Ele teve prisão decretada e é considerado foragido. Joanna também passou pelo Hospital das Clínicas de Jacarepaguá, antes de ser internada na Clínica Amiu, na zona sul, em 19 de julho. Ela passou 26 dias em coma e morreu no dia 13 de agosto.

Por enquanto, Vanessa responderá ao processo em liberdade. Se condenados, os denunciados podem cumprir penas de até 40 anos de prisão.

O pai e a mãe de Joanna, Cristiane Cardoso Marcenal Ferraz, brigavam pela guarda da criança. Quando morreu, a menina estava sob os cuidados do pai havia menos de dois meses.

Hediondo

GUILHERME SCHILLING

JUIZ

"O caso vem merecendo especial destaque no meio social, não apenas em razão da natureza hedionda do delito, mas também diante das peculiares condições da vítima e do denunciado"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.