Pai de ex-namorada acusa goleiro de covardia

Ele também obteve guarda do neto de 4 meses que estudante dizia ser de Bruno Fernandes, investigado no inquérito que apura o desaparecimento da jovem

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 00h00

  

 

 

Titular. Acusado foi campeão brasileiro pelo Flamengo

 

 

  O arquiteto Luiz Carlos Samudio, de 43 anos, pai de Eliza Samudio, de 25, desaparecida há três semanas, prestou depoimento ontem na Delegacia de Contagem (MG) sobre o relacionamento da filha com o goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo. Bruno é investigado num inquérito que apura o desaparecimento da jovem, com quem teria um filho de 4 meses, fruto de relação extraconjugal. A polícia trabalha com a hipótese de assassinato.

A Justiça de Minas concedeu ao avô autorização temporária para a guarda da criança, registrada pela mãe com o nome de Bruno. Samudio, que mora em Foz do Iguaçu (PR), desembarcou em Belo Horizonte acusando Bruno de "covarde". Após o depoimento, evitando citar o goleiro, fez um apelo para quem tiver informação sobre a filha procurar a imprensa ou a polícia. "O cerco está se fechando e a verdade logo virá à tona."

A delegada Alessandra Wilke, responsável pela investigação, informou que Bruno deverá ser intimado a depor nesta semana. O inquérito foi instaurado após denúncia anônima, segundo a qual Eliza teria sido espancada e suas roupas, queimadas em um sítio do goleiro, num condomínio em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte. A mulher de Bruno, Dayane Souza, foi presa em flagrante na sexta-feira sob a acusação de subtração de incapaz, já que o bebê estaria sob seus cuidados e ela teria tentado ocultar seu paradeiro. Ela já foi solta.

Ontem, bombeiros e policiais militares estiveram na região do condomínio em Esmeraldas para apurar a denúncia de um corpo na localidade, mas até à noite não haviam obtido autorização para entrar no sítio de Bruno.

Briga. Bruno não se submeteu a exame de DNA e a paternidade é discutida judicialmente. "Eles estavam num adiantado processo de acordo para resolver o reconhecimento e a questão da pensão", disse o advogado do pai de Eliza, Jader Marques.

Ontem, o advogado Michel Assef Filho negou qualquer ligação de Bruno com o desaparecimento, mas disse que o atleta está à disposição da Justiça para esclarecimentos.

No ano passado, a jovem registrou queixa contra Bruno na Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, no Rio, acusando-o de sequestro, ameaça e agressão. Ela disse à polícia que o goleiro tentou obrigá-la a tomar abortivos. Na ocasião, laudo do Instituto Médico-Legal apontou que o corpo da grávida tinha "vestígios de agressão". O caso foi encaminhado à Justiça do Rio, mas não prosseguiu porque Eliza não compareceu às audiências. / COLABOROU PEDRO DANTAS

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