Pai de Eloá nega assassinato, mas confessa que fugiu da polícia

Everaldo Pereira dos Santos usava o nome de Aldo José da Silva; ele admite que não foi ao enterro por medo

Da Redação,

21 de outubro de 2008 | 17h54

Everaldo Pereira dos Santos, pai de Eloá Cristina Pimentel, negou nesta terça-feira, 21, que cometeu assassinatos e roubos. Foragido da polícia de Alagoas, Everaldo confessou que não participou do velório e do enterro da filha por medo de ser preso. Ao negar ter participado de homicídios, ele falou que a Polícia Civil de Alagoas está tramando contra ele, que é ex-policial militar no Estado. "Não sou ladrão, não", falou, chorando muito. Everaldo afirmou que fazia a segurança de Ricardo Lessa, irmão do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), que foi assassinado pela "gangue de farda", da qual Everaldo é acusado de pertencer.   O pai de Eloá é conhecido em São Paulo como Aldo José da Silva. Everaldo afirmou que sabia que havia sido identificado em Maceió já no segundo dia de seqüestro da filha. Na segunda, ele teria ficado sabendo que as informações sobre seu passado vazaram para a polícia de São Paulo e, por isso, ele fugiu. Na semana passada, Everaldo, um irmão de Eloá e um parente da família procuraram o advogado Ademar Gomes, que faz sua defesa.   Veja também: Corpo de Eloá é enterrado e 12 mil acompanham a cerimônia 'Eu sabia', diz Nayara sobre morte de Eloá Leia o depoimento de Nayara após ser libertada por Lindemberg 'Eu perdôo Lindemberg', diz mãe de Eloá 'Eu lembro que eu dei um na Eloá', diz Lindemberg Lindemberg é transferido para Tremembé Polícia Civil investigará ação do Gate  Homem de 25 anos que recebeu rim de Eloá passa bem 100 horas da tragédia no ABC  Saiba como foi o fim do seqüestro Confira cronologia do seqüestro Galeria com imagens do seqüestro Todas as notícias sobre o caso Imagens da negociação com Lindemberg Alves I  Imagens da negociação com Lindemberg Alves II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Eloá, 'uma menina falante'; Lindemberg, 'um trabalhador' Seqüestro em Santo André é o mais longo registrado em SP     Ricardo Lessa era o segundo homem mais importante da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas. O crime ocorreu em 1991, no bairro de Bebedouro, em Maceió. Além do delegado, foi morto também seu motorista Antenor Carlota. O pai da menina estava se apresentando como Aldo José da Silva. A família de Eloá não comentou o assunto. A Polícia Civil de São Paulo já teria recebido os mandados de prisão expedidos pela Justiça de Alogoas, no entanto, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) ainda não tem informações sobre o caso.   O promotor de Justiça Luiz Vasconcelos, que atua na 9ª Vara Criminal, disse que Everaldo havia sido expulso da PM por envolvimento na "gangue fardada", responsável por vários crimes de pistolagem, roubos de carros e assaltos em Alagoas, sob o comando do ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante, que está preso no presídio militar do Rio de Janeiro. "Nunca trabalhei para o Cavalcante", declarou Everaldo em entrevista ao Estado.   Além do ex-cabo Everaldo e do ex-tenente-coronel Cavalcante, figuram como réus no processo do caso Rircado Lessa: Valdomiro dos Santos Barros, Valmir dos Santos, José Carlos de Oliveira, José Luiz da Silva Filho, Aderildo Mariz Ferreira, Cicero Felizardo dos Santos, Edgar Romero de Morais Barros. Segundo o promotor Luiz Vasconcelos, contra Everaldo consta inclusive um mandado de prisão reeditado em 21 de julho de 2008, pelo juiz Geraldo Amorim, da 9ª Vara Criminal do Fórum de Maceió, a respeito do assassinato de Ricardo Lessa.   "O trabalho da Justiça foi feito, foi expedido um mandado de prisão, agora cabe à polícia cumprir a parte dela, entrando em contato com São Paulo para confirmar se esse Aldo é mesmo ex-cabo Everaldo", afirmou Luiz Vasconcelos, acrescentando ainda que tomou conhecimento que a família do ex-cabo Everaldo teria confirmado que o ex-militar seria o pai da garota Eloá. "Por isso que o pai não queria aparecer, só a mãe da garota aparecia. Como não compareceu ao velório, pode ser até que esteja foragido de novo", acrescentou o promotor.   Everaldo Pereira residia em Maceió, mais precisamente na Rua São Félix, no bairro do Vergel do Lago, quando deixou a capital alagoana com a família e seguiram para o ABC paulista.     (Com informações de Ricardo Rodrigues, de O Estado de S. Paulo.)  

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